sexta-feira, 12 de junho de 2026

Eleições Suecas: A Classe Operária e o Espectáculo Parlamentar

 


Eleições Suecas: A Classe Operária e o Espectáculo Parlamentar

 

Comentário do Kompass-gruppen na Suécia sobre as próximas eleições gerais lá.

Não passou despercebido a ninguém que 2026 é um ano de eleições na Suécia, mais uma cerimónia rotineira destinada a permitir que as facções da burguesia lutem entre si pelo controlo do aparelho estatal. Mas, ao contrário das eleições anteriores, esta está a decorrer completamente sem pompa nem circunstância. Que partido parlamentar se pode realmente dizer que está a fazer progressos hoje em dia?

Os partidos governantes Tidö (a coligação de direita) têm pressionado para a adesão à NATO e para o seu programa de repressão cada vez maior e mais aberta à classe operária. Os Social-Democratas (o chamado partido dos trabalhadores) estão logo atrás com as mesmas iniciativas. Os sucessos eleitorais impressionantes dos Democratas da Suécia começaram a abrandar à medida que toda a sua razão de existir foi adoptada pelo resto do bloco de direita. O Partido da Esquerda, que tantas vezes somos instruídos por esquerdistas a apoiar, mantém-se na sua perpétua crise de identidade entre ser uma oposição interna obediente aos Social-Democratas dentro do bloco ‘vermelho’ e ser um partido de protesto que apoia alegremente Rojava, a Palestina ou qualquer outro estado-nação que esteja na moda no momento. Tudo isto enquanto o Partido do Centro, os Liberais e o Partido Verde tentam freneticamente ultrapassar o limiar de 4%.

Porque Existem Eleições Burguesas?

Desde a traição dos Social-Democratas durante a Primeira Guerra Mundial, os comunistas renunciaram a qualquer participação em eleições burguesas, sejam elas locais ou nacionais. Os parlamentos são o palco em que as facções burguesas lutam pelo controlo do seu aparelho estatal, e é ingénuo esperar qualquer concessão no seu território. Mas é um erro interpretar a burguesia como uma classe unida com interesses comuns. Ao longo da história, a burguesia tem sido dividida entre a grande e a pequena burguesia, o campo e a cidade, o capital nacional e mais internacionalmente ligado, e dentro dessas camadas e facções, diferentes indústrias, bem como os capitalistas individuais e o seu capital. A burguesia é uma classe fragmentada que está sempre em competição entre si.

Historicamente na Suécia, os Moderados representaram a ala conservadora e nacionalista do capital, com a sua defesa da tradição e dos militares. Os Liberais eram o partido da pequena burguesia, defendendo o livre mercado e a cooperação internacional. Os Sociais-Democratas são, no fundo, uma versão esvaziada de um partido de trabalhadores que existe para dar ao proletariado a ilusão de influência. Mas mesmo eles adoptaram a sua própria agenda burguesa, ou seja, o capitalista estatal cauteloso que defende a estabilidade a longo prazo com mais regulações e salvaguardas para prevenir o colapso económico.

São estas facções que lutam pelo poder nas eleições burguesas. As diferenças não são imaginárias, mas nenhuma facção pode em nenhum sentido ser considerada como a representante ou oferecer uma alternativa real ao proletariado. Mas mesmo esta luta tornou-se hoje cada vez mais apagada. Os partidos fingem estar na oposição no debate público, mas hoje a agenda para a Suécia é clara: preparação para a crise e a guerra.

A Crise do Capital

Não passou despercebido à burguesia que a taxa de lucro está a cair, que a situação mundial se aproxima de guerras cada vez maiores e mais abrangentes, e que o clima interno se está a tornar cada vez mais instável. A situação exige “mãos à obra” para defender o seu interesse comum: continuar a explorar o proletariado. Neste ponto, há medidas claras. No plano interno, isso significa recursos e poderes cada vez maiores para a polícia e o sistema judicial, para conter protestos e motins e, assim, manter a ordem.

Na política externa, isso significa laços cada vez mais fortes com outros Estados europeus face à pressão para a guerra, através do alinhamento com a NATO e da defesa e expansão da cooperação da UE. Estas últimas medidas, explica a burguesia, destinam-se a defender a democracia liberal e a soberania das nações livres de tiranias russas, americanas e chinesas. Mas o motivo real é, como sempre, defender mercados e recursos existentes e conquistar novos, do capital rival.

A Eleição na Suécia

Na realidade, como sempre, a escolha é entre qual partido capitalista é mais adequado para gerir os interesses do ‘nosso’ Estado capitalista. E estes, como já foi mencionado, são afirmar os interesses dos capitalistas sediados na Suécia no mercado mundial e fazer com que a Suécia contribua com a sua parte para a corrida armamentista imperialista. Tudo isto no contexto de um capitalismo em crise e a caminho de uma guerra internacional generalizada. Isto significa desemprego contínuo, austeridade e rearmamento – independentemente de haver um governo vermelho, verde, azul ou das cores do arco-íris! O governo de um determinado mandato não é onde reside o verdadeiro poder e domínio sobre as nossas vidas. O enquadramento é definido pela acumulação de capital e pelas tentativas da burguesia de garantir que continue a gerar lucro.

Mas mesmo que votar seja inútil, deixar de votar, por si só, não oferece solução nenhuma. A diminuição da participação eleitoral e a desconfiança em relação aos políticos e aos que estão no poder entre a classe operária é uma questão (muito compreensível) – a consciência de classe é outra coisa. Simplesmente temos de pegar na luta. Certamente não faltam problemas para enfrentar e causas por que lutar – muito pelo contrário! Há muitos interesses imediatos em redor dos quais podemos nos unir e lutar. A taxa de desemprego na Suécia está entre as mais altas da Europa (à volta de 9%), os custos da alimentação e da habitação dispararam, e os salários desceram a pique. Uma vida laboral fragmentada e cada vez mais intensa, resultando em aumento das taxas de mortalidade, ferimentos e doenças relacionadas com o stress, é a realidade que a nossa classe enfrenta todos os dias.

 

A Nossa Luta, os Nossos Métodos

Nem o governo nem os chamados movimentos populares e operários, como os sindicatos, associações de inquilinos, etc., conseguem ou sequer querem resolver os nossos problemas correctamente; estão totalmente integrados no Estado burguês e, como tal, obrigados a servir os interesses do capital. Para reanimar a luta, nós, operários, devemos, antes de mais, organizar-nos de forma independente e criar os nossos próprios comités e associações, assembleias de massa, etc., nas nossas comunidades e locais de trabalho para impulsionar a luta. Ao eleger os nossos próprios delegados destituíveis, podemos mostrar a diferença entre a sua 'democracia' e a nossa: em vez de submissão passiva através do voto de quatro em quatro anos, escolhemos a participação activa, a luta e a solidariedade!

Mas as exigências imediatas do dia acabam por se transformar numa esteira sem fim. Nenhuma solução real para satisfazer as nossas necessidades – e, em última análise, a nossa verdadeira libertação – pode ser encontrada dentro do capitalismo. A luta tem de ser levada para um nível político.

 

Um mundo – Não Apenas uma Eleição – Para Ganhar!

Portanto, de facto, abstenham-se do espectáculo eleitoral do capitalismo – mas qualquer pessoa que queira um futuro melhor não pode ficar de fora da luta política real. Aqueles de nós que reconhecem a necessidade de um movimento independente para a classe operária devem dar passos para nos organizar politicamente e lançar as bases para isso aqui e agora.

Os interesses da classe operária são os mesmos em todo o mundo. A exploração do nosso trabalho gera lucro para as nossas classes dominantes, independentemente de onde vivamos e de que regime esteja em vigor. Além disso, espera-se que sejamos carne para canhão para nações que, na realidade, não são “nossas” de nenhuma forma. A corrida para a guerra é a tendência mais clara de um capitalismo em crise nos últimos anos; mais uma vez, estaremos armados e incitados a um frenesi bélico. Somos inundados com propaganda nacionalista e uma “consciência da crise”; mais uma vez, seremos colocados uns contra os outros.

Mais do que qualquer outra coisa, precisamos de uma organização revolucionária independente, um partido internacional para defender os interesses genuínos dos operários em todo o mundo: acabar com o trabalho assalariado e a procura de lucro capitalista, e em vez disso construir uma sociedade criada colectivamente sem fronteiras, onde a produção tenha como objectivo, antes de tudo, satisfazer de forma sustentável as necessidades humanas.

Estás farto de políticos a discutir, dos sindicatos e do status quo – e concordas com a necessidade de luta de classes revolucionária e internacionalismo? Entra em contacto!

Kompass-gruppen

Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

 

Fonte: Swedish Elections: The Working Class and the Parliamentary Spectacle | Leftcom

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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