domingo, 26 de abril de 2026

Como opor-se e travar esta corrida para uma guerra capitalista generalizada?

 


Como opor-se e travar esta corrida para uma guerra capitalista generalizada?

Por um lado, o capitalismo mundial acelera a sua corrida para uma guerra imperialista generalizada. A guerra no Irão e em todo o Médio Oriente, lançada pelo capitalismo americano, constitui um momento particularmente significativo. Por outro lado, os ataques às condições de vida e de trabalho, já intensos e constantes pelo menos desde a crise financeira de 2008, redobram-se… devido à preparação para a guerra e, agora, à própria guerra, à guerra no Irão e no Médio Oriente.

A espiral infernal rumo a um conflito mundial mortífero acelera. O capitalismo mundial, a começar pelo capitalismo dominante americano, é obrigado a forçar o ritmo e o curso rumo à guerra. Trump e Putin, para citar apenas estes dois, são as figuras que cada imperialismo, americano e russo no caso deles, escolheu. São um sinal dos tempos actuais. As declarações de Trump são do mesmo tipo que as proferidas no seu tempo por Hitler. E as suas palhaçadas, na sua maioria sinistras, superam em ridículo as de Mussolini. Não são, por isso, menos carregadas de significado e de drama. O tempo é de guerra. É preciso habituar as populações aos discursos nacionalistas e de ódio, por mais estúpidos que sejam. Não tenhamos dúvidas: as outras potências imperialistas, em primeiro lugar a China, mas também as potências europeias e asiáticas, não poderão deixar que o capitalismo americano lhes imponha à força as suas condições e os seus ditames económicos, políticos e imperialistas sem tentarem reagir. Está em jogo a sua sobrevivência. Cada capital e burguesia nacional luta até à morte para poder aceder às escassas jangadas de salvação do navio antes que este se afunde.

Será possível travar a corrida para o abismo? A resposta à guerra que se aproxima não pode ser dada em nome da… paz. A guerra é intrínseca ao capital. As guerras mundiais, já conhecemos duas, não são senão as expressões últimas das contradições do capital. São o desfecho inevitável da sobreprodução geral de capital, de forças produtivas e de mercadorias e da impossibilidade de absorver – de vender – essa sobreprodução no âmbito das relações sociais capitalistas. Daí a luta pelos mercados através da concorrência económica acompanhada pela força militar, pelo imperialismo. E, no final, a destruição maciça através da guerra generalizada. Opor-se à dinâmica bélica não pode ser feito em nome do «ideal» da paz. Tanto mais que, no capitalismo, «a paz não passa de um momento da guerra».

Anteriormente, os operários de todos os países eram chamados a pagar pelo impasse económico e pela crise do capitalismo. Hoje, além disso, são chamados a pagar também a conta da guerra que se aproxima. Daquela para a qual é preciso preparar-se. E agora daquela que já está a decorrer. Daquela que se desenrola diante dos nossos olhos e que derrama rios de sangue na Palestina, no Líbano, no Irão e na Ucrânia. Os economistas anunciam: a economia está a abrandar drasticamente, a inflação redobra e os despedimentos disparam devido à guerra no Irão(1). Em suma, os proletários vão ter de pagar também pelo bloqueio do estreito de Ormuz; o mesmo bloqueio que enriquece os especuladores, ou seja, os capitalistas, a começar por Trump, Putin e as suas cliques, sem esquecer os mulás e outros guardiões da revolução iranianos, e que lhes permite deleitar-se na corrupção mais descarada e no luxo mais obsceno.

A oposição real e potencialmente eficaz à guerra só pode provir da afirmação, por parte do proletariado, dos seus interesses de classe no contexto do antagonismo material e histórico entre as classes – entre a burguesia, que explora o trabalho do proletariado e lucra com a redistribuição imperialista do mundo, e o proletariado, que sofre e é obrigado a lutar nas trincheiras ao serviço da classe dominante. Hoje, só há um caminho para se opor à marcha para a guerra. Aquele que dezenas de operários em greve massiva na Índia(2) nos mostram nestes dias, respondendo directamente às consequências materiais da guerra no Irão sobre as suas condições de vida. A luta para defender as condições de vida e de trabalho dos assalariados, do proletariado. As condições de vida dos operários deterioraram-se ao longo das décadas; hoje estão ainda mais comprometidas no contexto da escalada para a guerra e são directamente ameaçadas pelas consequências da guerra no Irão. A crise capitalista e a guerra imperialista alimentam-se uma à outra à custa do proletariado.

O lema de hoje: Não aos sacrifícios pela guerra! Luta em massa e generalizada! Não à união sagrada nacional em torno do Estado capitalista e da burguesia nacional!

O lema de amanhã: o capitalismo é a guerra, abaixo o capitalismo!

 

A redação, 22 de abril de 2026

 

1. Sem contar com os riscos de uma crise financeira associada às bolhas especulativas que se acumulam umas sobre as outras e que estão todas ligadas ao endividamento generalizado. A bolha do crédito privado poderá ser a primeira a rebentar: os credores, preocupados, procuram cada vez mais recuperar o que investiram nos fundos especulativos que a gerem. Ou ainda, os países do Golfo, que já não vendem o seu petróleo desde o bloqueio do estreito de Ormuz, têm uma necessidade urgente de dólares. Por isso, estão tentados a vender os seus activos americanos, acções, obrigações e títulos do Tesouro. Corre-se, portanto, o risco de assistir rapidamente a uma corrida em pânico para o «dinheiro vivo», com todos a procurarem limitar as suas «perdas» através da venda, provocando o rebentar das bolhas. Não podemos aprofundar este assunto aqui.

2. Ver o artigo a seguir nesta edição.

 

Fonte: www.igcl.org

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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