domingo, 26 de abril de 2026

Primeiro de Maio de 2026: Não aos Sacrifícios por Este Sistema - Contra a Guerra e Todas as Formas de Nacionalismo!

 


Primeiro de Maio de 2026: Não aos Sacrifícios por Este Sistema - Contra a Guerra e Todas as Formas de Nacionalismo!

 

Declaração do Primeiro de Maio de 2026 da Tendência Comunista Internacionalista

A crise capitalista não faz senão agravar-se, com a guerra mundial a tornar-se uma realidade cada vez mais iminente. Esta crise de falta de mais-valia suficiente está a transformar a concorrência entre capitalistas numa disputa entre Estados. Cada Estado está envolvido numa luta existencial no seio da hierarquia imperialista. A única «saída» reside na destruição maciça do capital, na esperança de poder dar início a um novo ciclo de geração de lucros.

A única solução que têm para oferecer é uma guerra imperialista generalizada

Apesar das promessas de paz, dos cessar-fogos ou do «Conselho da Paz», as guerras imperialistas continuam a assolar o mundo, seja na Ucrânia, no Sudão, no Congo, no Sul da Ásia, em Gaza ou no Irão, e isto sem sequer ter em conta a «guerra económica» em curso, como o bloqueio norte-americano a Cuba. Não contente com isto, o sistema capitalista está a preparar-se para ainda mais carnificina, com gastos militares cada vez maiores e um ritmo repugnante de rearmamento. Perante a estagnação dos lucros, a classe dominante está disposta a aceitar um sofrimento humano imensurável. Está preparada para conduzir o sistema a uma barbárie ainda mais inimaginável.

As guerras na Ucrânia e no Médio Oriente estão a consolidar alianças imperialistas e interesses definidos; são um prelúdio para outra guerra mundial. Os EUA estão a preparar-se para a guerra contra a China, tentando quebrar a aliança de conveniência entre a China, a Rússia e o Irão. Durante décadas, os EUA têm visto a China como a sua principal ameaça às suas exigências imperialistas expansionistas. A política da administração Trump em relação à China é em grande parte orientada pelas mesmas premissas estratégicas de Obama e Biden. Independentemente do político que esteja a governar os EUA, o aumento do proteccionismo e das sanções para prejudicar a economia e as forças armadas da China, bem como os ataques aos aliados da China, são todos preparativos bi-partidários para uma futura guerra. As hostilidades entre os EUA e a China só podem continuar a crescer com as pressões da competição imperialista. Os EUA encontram-se numa situação de vida ou morte para derrubar o seu principal rival, à medida que a crise do lucro/rentabilidade se aprofunda.

A frenética campanha bélica dos EUA por todo o mundo faz, assim, parte da preparação para a guerra contra a China. Ao tentarem eliminar os aliados da China na Venezuela, em Cuba, no Irão e na Rússia, estão a preparar-se para o confronto principal. Na América Latina, onde a China tem vindo a aumentar constantemente a sua presença nos últimos vinte anos, Trump está a enviar uma mensagem através do sequestro de Maduro, na Venezuela, e das crescentes ameaças contra Cuba. A guerra brutal travada na Ucrânia foi assumida pela NATO para sangrar a Rússia e isolar a China. A guerra permanente dos EUA e de Israel no Médio Oriente pode ser vista como um exemplo em pequena escala da estratégia contra a China – primeiro os aliados mais fracos do Hezbollah, do Hamas e dos houthis, depois o próprio Irão isolado. Esta estratégia não ficará sem resposta; a sangrenta guerra de posicionamento não vai parar. Todos os capitalistas, independentemente da sua nação, são levados a continuar a aderir aos ditames da acumulação de capital, pelo que, enquanto classe, optam pela guerra em vez da estagnação contínua.

Os proletários de todo o mundo enfrentam austeridade extrema, privações, morte e deslocamento, à medida que cresce a pressão para um novo massacre mundial. A classe operária em todo o mundo tem sido obrigada a pagar pela crise insolúvel de rentabilidade do capitalismo, que é a causa de todas as guerras imperialistas e da barbárie. Todos os Estados estão a rearmar-se, optando por «armas em vez de manteiga». São as armas que lhes podem garantir uma fatia maior dos lucros futuros, enquanto há pouco a ganhar com a exploração capitalista «normal». Os orçamentos para despesas militares na Alemanha e na Itália praticamente duplicaram nos últimos cinco anos, enquanto em França a idade de reforma foi aumentada para equilibrar o orçamento de guerra.

Os operários enfrentam uma situação social em colapso – sentimos isso todos os dias quando os nossos salários são corroídos pela inflação ou pelo aumento da carga de trabalho, quando o custo dos alimentos e dos bens essenciais continua fora do nosso alcance, ou quando somos despejados e privados de assistência social. O pior de tudo é quando a tua suposta nação te exige que lutes e mates as nossas próprias irmãs e irmãos de classe. O que é que a «tua» nação fez por ti? O que é que «o nosso país» deveria ser? Não possuímos quase nada dele – excepto a nossa força de trabalho, que é explorada no interesse da «nossa nação». Esta é a situação em todos os países – a classe capitalista mundial está unida na exploração do proletariado. Todas as guerras são imperialistas e reaccionárias e não há nelas qualquer perspectiva para o proletariado além da exploração contínua, da humilhação e dos sacrifícios, para que o nosso inimigo de classe possa dar cuidados paliativos ao sistema capitalista moribundo.

Para o proletariado, não há pátria a apoiar. Mesmo que se revistam de slogans «anti-imperialistas», aqueles que apoiam qualquer guerra actual estão a escolher um capitalista em detrimento de outro. Desde o início da era imperialista, com a Primeira Guerra Mundial, o capitalista só pode desempenhar um papel reaccionário e lutar com unhas e dentes pela sobrevivência do capital social da sua nação. Toda e qualquer auto-actividade proletária é esmagada em nome da defesa da «nação» (ou seja, dos lucros). A repressão interna multiplica-se exponencialmente contra os operários, como se vê em todas as guerras actuais e na resposta do Estado aos operários na Ucrânia, no Irão, em Gaza e no Médio Oriente. Nos EUA e noutros Estados imperialistas que se rearmam para a guerra, a repressão e a xenofobia disciplinam os operários, criando um segmento mais precário de operários aterrorizados para explorar brutalmente.

Só a classe operária pode parar a guerra

A classe operária – a maioria da população do planeta – é a única força capaz de travar o nossa crescente empobrecimento, a degradação do planeta e o avanço da guerra total. As reivindicações económicas dos operários já se chocam com a tendência do capitalismo para a guerra. Quando os operários lutam por salários mais altos, condições de trabalho mais seguras, horários mais curtos ou melhor dotação de pessoal, deparam-se com uma forte resistência por parte dos patrões e do seu Estado. Em vários países, os governos declaram as greves ilegais em nome da defesa nacional, enquanto na «frente interna» dos Estados capitalistas em guerra os operários são submetidos ao sofrimento da economia de guerra. O ataque capitalista aos padrões de vida dos operários tem um carácter político directo. Quando a luta defensiva da classe operária assumir também um carácter ofensivo, político e anti-capitalista, ela terá as ferramentas necessárias para pôr fim para sempre ao ciclo de massacre imperialista.

O massacre em massa da Primeira Guerra Mundial imperialista chegou ao fim graças a revoltas, motins e greves. O derrotismo revolucionário assumiu uma forma concreta quando, na Rússia, o proletariado organizado em conselhos tomou o poder e impôs o fim das hostilidades, e quando as manifestações de massas em Berlim e Viena, em 1918, forçaram o fim da guerra. Isto marcou o início de uma onda revolucionária internacional que abalou o capitalismo até às suas próprias fundações. A espontaneidade e a acção independente da classe são importantes e necessárias. No entanto, é preciso notar que são condições necessárias, mas não suficientes, para a superação definitiva do sistema capitalista. Sem uma força revolucionária organizada capaz de fornecer a um movimento anti-capitalista uma orientação política e uma perspectiva revolucionária, toda a revolta corre inevitavelmente o risco de ser absorvida pelas forças deste sistema. Um partido revolucionário, por outro lado, que tenha lutado para ganhar reconhecimento e se estabelecer dentro da classe através da participação activa na luta de classes, pode servir como ponto de referência político revolucionário e trabalhar para garantir que a classe operária não pare a meio do caminho. Quando a preparação teórica e prática de revolucionários organizados se combina com a capacidade de luta e organização da classe, este sistema pode ser derrubado.

Hoje encontramo-nos numa situação diferente da do passado e estamos longe de termos formado um partido comunista mundial. No entanto, as condições fundamentais da exploração capitalista mantêm-se as mesmas. Isto não nos isenta da tarefa de trabalhar para a criação de um partido revolucionário internacional. Lenine observou certa vez, com razão:

As tácticas de agitação em relação a alguma questão específica, ou as tácticas relativas a algum pormenor da organização partidária, podem ser alteradas em vinte e quatro horas; mas só pessoas desprovidas de qualquer princípio são capazes de alterar, em vinte e quatro horas — ou, aliás, em vinte e quatro meses —, a sua opinião sobre a necessidade — em geral, constante e absoluta — de uma organização de luta e de agitação política entre as massas. É ridículo invocar circunstâncias diferentes e uma mudança de épocas: a construção de uma organização de luta e a condução da agitação política são essenciais em quaisquer circunstâncias «monótonas e pacíficas», em qualquer época, por mais marcada que seja por um «espírito revolucionário em declínio»; além disso, é precisamente em tais períodos e sob tais circunstâncias que o trabalho deste tipo é particularmente necessário, uma vez que é demasiado tarde para formar a organização em tempos de explosão e revolta; o partido deve estar em estado de prontidão para lançar a actividade a qualquer momento.

Lenine, Where to Begin?(Por onde começar?), 1901

Isto foi confirmado pela experiência histórica da nossa classe. A ausência de um partido revolucionário firmemente estabelecido teve consequências dramáticas para a Revolução Alemã de 1918–1919. A classe operária tinha, de facto, conseguido derrubar o Império Alemão. Mas agora, com os social-democratas, um actor diferente começou a ditar a agenda política. Apresentavam-se como um «partido de massas socialista» moderado. No entanto, na realidade, agiam não como a ala direita moderada do movimento operário, mas como a ala esquerda do capital. Substituíram a luta de classes pela «lei e ordem», os conselhos pelo parlamento e a revolução pela reforma. Quando a janela da revolução ainda permanece aberta, é assim que pode parecer a ausência de um partido operário digno desse nome. Ao mesmo tempo que desarmava politicamente e desorientava a ampla maioria da classe operária através de todo o tipo de manobras, enquanto pilar da República de Weimar, deu rédea solta aos proto-fascistas Freikorps contra os elementos radicais. O terror sangrento destas unidades lançou as bases para a posterior ditadura fascista.

A derrota da Revolução Alemã teve consequências fatais para a vaga revolucionária internacional. O isolamento da Revolução Russa acabou por conduzir à sua transformação no seu oposto – o estabelecimento de um capitalismo de Estado ditatorial que, para deleite de todos os reaccionários, se disfarçava de «socialismo».

Que fazer?

As experiências traumáticas do estalinismo geraram muita confusão e, ao mesmo tempo, reforçaram significativamente o arsenal de propaganda ideológica da classe dominante. As derrotas profundas do século XX enfraqueceram a solidariedade e o espírito de luta da nossa classe, o que faz com que as lutas defensivas bem-sucedidas sejam raras e enfrentem grandes desafios. O domínio do capital parece incontestável. As hipóteses de a política revolucionária ganhar terreno na luta de classes não são boas. As organizações políticas que defendem os princípios internacionalistas da revolução proletária têm, na melhor das hipóteses, uma presença limitada nas lutas da classe operária em geral. Esta é apenas uma expressão – embora talvez a mais decisiva – da profunda fraqueza da nossa classe.

Tendo isto em mente, devemos reconhecer e articular claramente tanto o perigo de uma guerra imperialista geral como a extrema fraqueza da política revolucionária. As diferenças políticas entre revolucionários reflectem questões reais. No entanto, não podemos dar-nos ao luxo de nos atolarmos em polémicas intermináveis e debates sem rumo.

Em vez de nos deixarmos levar por críticas e disputas sem propósito nem rumo, para nós, superar verdadeiramente as controvérsias entre revolucionários exige uma nova vida no seio da classe operária, através da qual as questões políticas levantadas pela luta possam constituir a base sobre a qual construir a unidade entre revolucionários; pois é apenas na dinâmica concreta da luta de classes – não mais de forma esporádica e em incidentes isolados, mas em escala de massas – que as várias posições teóricas e políticas descerão dos «céus» da teoria para encontrar confirmação, ou refutação, na realidade material da própria luta de classes. Aqueles que pensam ter o monopólio exclusivo da verdade serão relegados à irrelevância.

Apesar da actual fraqueza da nossa classe, há uma necessidade premente de que aqueles que defendem os princípios internacionalistas e rejeitam todas as formas de nacionalismo se unam sob uma bandeira comum. Onde quer que seja travada, a luta de classes entra inevitavelmente em conflito com os preparativos em curso para a guerra. Isto abre a possibilidade de que posições internacionalistas sejam assumidas nas lutas – particularmente entre os sectores avançados da classe – e de que a luta contra a guerra capitalista seja colocada na agenda. Neste contexto, reafirmamos o nosso apoio aos comités «No War but the Class War» (NWBCW), que reúnem revolucionários com base no internacionalismo e visam intervir nas lutas locais. Embora não sejam nem um substituto do partido nem um caminho para a sua formação, estes comités podem organizar uma resposta política às guerras imperialistas que vai além das capacidades das organizações individuais.

As nossas bases para tal cooperação, que assume uma postura inequívocamente baseada na classe e exclui os legados políticos da Social-Democracia (antiga e nova) e da contra-revolução estalinista, incluindo os seus ramificados — nomeadamente, o estalinismo, o maoísmo e o trotskismo — são os seguintes cinco pontos:

·         Contra o capitalismo, o imperialismo e todos os nacionalismos. Não ao apoio a quaisquer capitais nacionais, «males menores» ou Estados em formação.

·         Por uma sociedade em que os Estados, o trabalho assalariado, a propriedade privada, o dinheiro e a produção com fins lucrativos sejam substituídos por um mundo de produtores livremente associados.

·         Contra os ataques económicos e políticos que a guerra actual, e as que se avizinham, irão desencadear sobre a classe operária.

·         Pela luta auto-organizada da classe operária, pela formação de comités de greve independentes, assembleias de massas e conselhos de trabalhadores.

·         Contra a opressão e a exploração, pela unidade da classe operária e pela união dos verdadeiros internacionalistas.

 

Apelamos mais uma vez a todos aqueles que se identificam com estes pontos e reconhecem a gravidade da situação actual para que criem tais comités nas suas regiões ou se juntem aos já existentes.

 

Tendência Comunista Internacionalista
1º de Maio de 2026

Sexta-feira, 24 de Abril de 2026

 

Fonte: May Day 2026: No Sacrifices for this System - Against War and All Forms of Nationalism! | Leftcom

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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