Greve dos operários da Câmara Municipal de Montreal, no Canadá
A combatividade operária no Canadá, que havíamos destacado no número anterior (4), continua
inabalável. O controlo geral dos sindicatos — e, por trás deles, de todo o
aparelho do Estado burguês — sobre essas lutas operárias é igualmente real.
Este limita fortemente a eficácia «política» destas lutas de classe para que os
proletários consigam impor as suas reivindicações. O facto de estas lutas
permanecerem isoladas, sector por sector, empresa por empresa, ou mesmo
profissão por profissão, ou ainda localizadas, torna impossível uma evolução
favorável aos operários no equilíbrio de forças com a burguesia e as suas
forças políticas e sindicais.
A última greve significativa ocorreu recentemente. Os «trabalhadores manuais» da cidade de Montreal são os operários que se encarregam da manutenção das infraestruturas municipais: esgotos, ruas, parques de estacionamento, sinalização, jardins, etc. Realizaram uma greve de três dias, no âmbito legal do «direito à greve» canadiano, nos dias 15, 16 e 17 de Abril. A sua reivindicação era um aumento salarial semelhante ao das outras cidades do Quebeque, ou seja, de 21,5% a 22% durante 5 anos. A cidade recusou e propôs-lhes 11% durante 5 anos; isto é, muito abaixo da inflação já existente e ainda mais da que está para vir, dadas as consequências da marcha para a guerra e, mais directamente, da guerra no Irão. Com o anúncio desta greve, o nosso núcleo no Canadá decidiu intervir nesta luta, nos piquetes e em eventuais manifestações ou comícios. Para a ocasião, também julgámos útil publicar e distribuir um panfleto de agitação que destacasse a necessidade de romper o isolamento e alargar a luta.
Entretanto, a proposta da direcção de um aumento de apenas 11 % provocou uma onda de indignação que se traduziu na ocupação de artérias importantes da cidade durante parte do dia 16, na esquina das ruas Sherbrooke e Pio IX. Foi uma oportunidade para os nossos membros se juntarem a eles, distribuírem o nosso panfleto e conversarem com os grevistas. Embora muitos grevistas concordassem com a necessidade de alargar a greve, remeteram-nos para os dirigentes sindicais. Isso diz muito, tanto sobre a crescente consciência de que, isoladas, as lutas não conseguem fazer recuar a burguesia, como sobre o nível de ilusões em relação aos sindicatos que ainda existe. Na verdade, isto diz muito sobre o caminho que ainda resta às fracções mais combativas do proletariado mundial para disputar aos aparelhos sindicais a direcção das suas lutas, a fim de assumirem «por si próprios» a sua luta, a sua extensão, a sua generalização e a sua organização.
20 de
Abril de 2026
4. cf. Révolution ou guerre #32
: https://igcl.org/Mobilisations-proletariennes-au
Fonte: www.igcl.org
Este artigo foi
traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice

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