26 de Setembro de 2024 Robert Bibeau
por Moon of Alabama
Na semana passada, o
primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, decidiu transformar a troca de
mísseis com o Hezbollah no Líbano numa guerra total.
Foram várias as razões pelas quais o fez com o apoio dos americanos:
§
60.000 colonos no norte de Israel
deixaram as suas casas e só retornarão se o governo puder garantir a sua
segurança.
§
Os radicais do seu governo querem
eliminar o Hezbollah e ameaçam acabar com o governo se este não o fizer. (Os
realistas sabem que este é um objectivo impossível.)
§
Pode haver a sensação de que o Hezbollah
se curvará à pressão e aceitará um cessar-fogo que não inclua a Faixa de Gaza.
§
Israel tem a oportunidade de arrastar os Estados Unidos para
uma luta que terminaria numa guerra contra o Irão. Há décadas que Netanyahu tenta
corrigir esta situação.
Na semana passada, Israel lançou um
ataque terrorista contra agentes do Hezbollah que usavam pagers para receber alarmes e
ordens. Estes indivíduos faziam parte da administração civil do Hezbollah e não
dos seus combatentes armados.
O ataque seguinte a um
alto comandante do Hezbollah que se reunia com oficiais das forças especiais do
Hezbollah foi mais grave. Mas não prejudicará as operações do Hezbollah. Cada
oficial superior tem um sucessor designado que o substituirá imediatamente. A continuidade do
comando dentro do Hezbollah é garantida em quase todas as
circunstâncias.
Ambos os ataques israelitas exigiram uma resposta do Hezbollah. A "paciência
estratégica" a que anteriormente aderira tinha chegado ao seu limite.
A sua resposta aos
ataques israelitas faz parte de uma guerra maior que começou.
A resposta assumiu a forma de ataques com mísseis a uma distância limitada
da fronteira israelo-libanesa. Alguns desses mísseis atingiram a cidade de
Haifa. Um porto e um centro industrial localizados a cerca de 40 quilómetros a
sul da fronteira.
Desde 8 de Outubro de 2023, o conflito entre Israel e o Hezbollah tem sido
desigual. Houve oito vezes mais ataques israelitas no Líbano do que ataques do
Hezbollah contra Israel. Israel agora justifica publicamente os seus ataques
com uma política de "desescalada através da escalada" que, segundo
ele, levará a uma paz separada com o Hezbollah.
Mas os verdadeiros objectivos dos sionistas são expressos pelos membros
radicais do gabinete de Netanyahu:
Yanis Varoufakis no X: ""Lebanon will be annihilated". How an Israeli official's slip of the tongue reveals that Israel's genocidal intentions extend beyond Palestine. A direct result of US and EU backing of any war crime Israel chooses to commit whenever, wherever... https://t.co/YTZpOlUUat" / X
O
Líbano será aniquilado. Um deslize de língua de um funcionário israelita revela
que as intenções genocidas de Israel se estendem para além da Palestina. O
resultado directo do apoio dos EUA e da União Europeia a qualquer crime de
guerra que Israel decida cometer a qualquer momento, em qualquer lugar...
Trata-se de uma política de terra arrasada que deverá conduzir à ocupação do Sul do Líbano e ao reinício dos colonatos israelitas nesta região:
Sam Heller | سام هيلر no X: "Official Israeli claim that nearly every building in southern Lebanon conceals several missiles 🤨 pre-excuses massive destruction of civilian infrastructure, attempts to sow division between Hizbullah and popular base. https://t.co/alSAIBrAVd" / X (twitter.com)
A afirmação oficial israelita de que quase todos os edifícios no sul do Líbano escondem vários mísseis pré-desculpabiliza a destruição maciça de infraestruturas civis, tentativas de semear a divisão entre o Hezbollah e a base popular.
Forças de Defesa de Israel @IDF – 10h O
porta-voz das IDF, RAm Daniel Hagari, revela como o
Hezbollah dispara mísseis de casas civis e como as Forças de Defesa de Israel
planeiam desmantelá-los
Desde ontem, Israel lançou uma miríade de ataques aéreos visando supostos disparos do Hezbollah em áreas civis, principalmente no sul do Líbano. Durante o dia, cerca de 400 pessoas foram mortas no Líbano e quase 2.000 ficaram feridas. Centenas de milhares de pessoas que vivem no sul do Líbano fugiram ou estão a fugir para o norte.
O Hezbollah respondeu atacando instalações militares e industriais
destinadas à produção militar. Espera-se que em breve use armas mais
sofisticadas para atacar alvos em Tel Aviv, a 120 km da fronteira, e além.
Embora as imagens de danos e vítimas do Líbano sejam abundantes, os relatos
de ataques do Hezbollah em Israel são poucos.
O governo israelita (novamente) emitiu uma directiva geral a todos os meios
de comunicação para que se abstenham de tirar fotos e relatar os danos. Os
censores militares, que se sentam em cada redacção, garantirão que essas ordens
sejam respeitadas.
A guerra no Norte vai continuar durante dias, semanas e meses.
É uma guerra de desgaste moral.
Que população será a primeira a exigir o fim da luta?
Por quanto tempo a população mimada de Telavive ficará sentada dia e noite
em bunkers sem pedir mudanças?
Serão os xiitas do Líbano, cuja religião valoriza o sofrimento e o desejo
de morrer como mártires, os primeiros a exigir o fim da guerra?
Pela minha parte, nunca apostarei contra a religiosidade xiita ou contra a
capacidade do Hezbollah de continuar a lutar.
Enquanto a guerra no norte enche os noticiários internacionais, a guerra
sionista genocida em Gaza continua.
Israel pretende liquidar o norte de Gaza, que inclui quatro
grandes cidades, limpando etnicamente e matando de fome os 1,3 milhões de
pessoas que lá vivem.
Netanyahu reviu formalmente estes
planos e espera-se que os cumpra.
Gaza está no centro do conflito. Se Israel concordar com um cessar-fogo em
Gaza, a guerra no norte também terminará imediatamente. Apenas Netanyahu e a
administração Biden que lhe dá cobertura estão a bloquear o caminho para uma
solução pacífica.
fonte: Moon of Alabama
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice
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