Dívida francesa, patrocinadora prodigiosa do
imperialismo norte-americano
16 de Setembro de 2025 Robert Bibeau
A dívida francesa é a raiz de todos os males políticos e sociais? A dívida francesa, embora preocupante, é uma arma formidável nas mãos do governo. Ela permite-lhe exigir maiores sacrifícios da população. Afinal, "não são os governos, mas os franceses que gastam o dinheiro [público]", ousou afirmar recentemente François Bayrou sobre a LCI. Mas talvez, por "os franceses", Bayrou se referisse ao presidente e a toda a sua corte, incluindo a si mesmo: desde 2017, Macron pode gabar-se de ter ultrapassado 1 trilião de euros em dívida acumulada. Um feito!
No entanto, lembramos o recurso irrestrito
ao Artigo 49.3, que permite a aprovação de um projecto de lei sem votação na
Assembleia Nacional, para evitar a votação do orçamento. Medidas como a
abolição do imposto sobre a riqueza (ISF) em 2018 ou a eliminação de 1.600
agentes fiscais desde 2017 também contribuíram para a queda da receita
estadual.
Outra medida surpreendente: a compra de
dívida americana pela França, durante um período de crise das finanças
públicas. Isso contribuiu significativamente para o aumento da dívida. Quando o
"Mozart das Finanças" chegou ao poder em 2017, a França detinha 74,4
mil milhões de dólares em dívida soberana americana. Sete anos depois, detinha 284
mil milhões de dólares! Isso contrasta com a tendência de todos os países ao
redor do mundo se livrarem gradualmente do dólar, começando pela China. Da
mesma forma, os países do Sul Global estão a libertar-se do dólar nas suas
relações comerciais. E o risco de insolvência dos EUA é confirmado pelo
rebaixamento da classificação dos EUA para AA+ pelas agências de classificação
americanas Fitch e Moody's, enquanto a agência chinesa DAGONG, já em 2018,
atribuiu ao Império uma classificação BBB+. Esse investimento insano é,
portanto, incompreensível.
Por fim, não podemos esquecer o
financiamento, via OTAN, do complexo militar-industrial americano, equivalente
a 5% do PIB francês. A França poderia ter optado, como a Espanha, por não
obedecer para estabilizar o seu orçamento. Preferiu submeter-se a Washington.
Na realidade, o leitmotiv da dívida, ao
mesmo tempo em que atropela direitos sociais, permite que o dinheiro seja
redireccionado para outros lugares. Mas para onde e com que propósitos?
Quando
o “Mozart das Finanças” vende a França
Da venda da Alstom em 2015, à Doliprane
vendida ao fundo americano CD&R em 2025, à Technip, vendida aos Estados
Unidos em 2016, uma série de decisões vão contra o interesse nacional francês,
em benefício dos Estados Unidos.
De facto, recordemos a venda da Alstom por
Emmanuel Macron, então Ministro da Economia, para a General Electric (GE).
Macron foi assessorado na venda por Hugh Bailey, que mais tarde se tornou CEO
da General Electric! Além disso, empresas de consultoria como a McKinsey, que
pressionou por essa venda, tornaram-se as maiores doadoras da campanha de
Macron em 2017. Não há conflito de interesses?
De qualquer forma, a venda da Alstom Power
para a gigante americana sinalizou a perda da exclusividade francesa na turbina
nuclear Arabelle. Tornou a França dependente do seu "aliado"
americano. De facto, essa venda levou à transferência de negócios e patentes.
Mesmo hoje, apesar da aquisição de um ramo de actividade pela EDF por mais de mil
milhões de euros (o dobro do preço de venda da Alstom para a GE), a construção
das turbinas Arabelle é realizada em solo americano, e os Estados Unidos
mantiveram os contratos de manutenção das turbinas a carvão.
Essas negociações são reveladoras: Emmanuel
Macron despojou a França dos seus recursos em benefício dos Estados Unidos.
Elas enfraquecem as finanças públicas e minam a soberania do Estado francês ao
abandonar a sua expertise técnica e científica única. Felizmente, o terreno foi
pavimentado desde que a Constituição francesa foi emendada por Sarkozy:
doravante, na França, um presidente não pode ser processado pelo crime de alta
traição. Uma dádiva para os traidores.
Além disso, esse suicídio é tanto nacional
quanto internacional. A França é cúmplice das guerras de conquista travadas
pelo bloco da OTAN, seja na guerra entre Ucrânia e Rússia, no genocídio em
curso em Gaza ou na desestabilização política da Venezuela e da Somália. Ao
permitir que os Estados Unidos se endividem à custa da França, ao financiar
armas americanas (cujos stocks estão a diminuir como resultado do fomento de
conflitos em todo o mundo), a França está a colaborar na macabra empreitada da
perda de hegemonia do Império.
Enquanto sopra o vento da revolta popular,
enquanto os franceses se preparam para bloquear tudo em 10 de Setembro, o povo
francês deve unir-se na luta contra a desintegração do país, mas também pela auto-determinação
dos povos, pelo fim do imperialismo colonial e pela paz. É hora de pôr fim a
essa onda de reformas, cada uma mais ridícula e vergonhosa que a anterior, que
polariza os debates e divide as lutas sociais.
O povo não se deixa enganar: o país entrou,
anti-democrática e indevidamente, numa economia de guerra. E essa economia de
guerra permite que a "democracia" de Macron mantenha as mãos livres
para envolver a França numa cruzada imperialista ruinosa e assassina, que o
tribunal da história condenará.
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Fonte: Dívida
francesa, patrocinadora prodigiosa do imperialismo norte-americano –
Investig'action
Fonte: La
dette française, prodigieux sponsor de l’impérialisme US – les 7 du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua
Portuguesa por Luis Júdice

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