Quando sindicalistas
e activistas franceses brincam de se assustar
16 de Setembro de 2025 Robert Bibeau
Por Khider Mesloub .
Este
texto rimado reactualizado, redigido em Abril de 2023, durante o movimento de
protesto contra a reforma das pensões, foi inspirado pelo líder sindicalista da
FO, que repetia incessantemente diante das câmaras: «Amanhã haverá ainda mais
gente nas ruas», um refrão repetido por todos os líderes dos sindicatos
franceses durante meses. Este refrão, desde o anúncio do início iminente do movimento
«Bloquons tout le 10 Septembre» (Vamos bloquear tudo no dia 10 de Setembro),
volta a ser ouvido todos os dias.
Jogo de ilusões de
protesto regulamentado
Amanhã
haverá ainda mais gente nas ruas. Com certeza haverá ainda mais confusão. É
claro que haverá ainda mais tumulto. É óbvio que haverá ainda mais confusão.
Os
black blocs estarão certamente na festa. Nos cortejos, eles colocar-se-ão à
frente. Desfilarão como animais terríveis. Envoltos nos seus atributos
sombrios. Irão partir e queimar ainda mais escolas.
Amanhã
haverá ainda mais polícia e caos. Os sindicalistas jogarão à greve como se
fosse um jogo de cartas. Esses malucos dedicar-se-ão à sua diversão favorita. E
os «terros» (vândalos) à sua destruição patológica.
Cada
sindicalista continuará a fazer bluff como no póquer. Ao longo do percurso,
gritará como um roqueiro. Proclamando lutar valentemente contra a reforma das
pensões. Mas, como reformista assumido, não pára de recuar. Continuará a
brandir os eternos cartazes soporíferos. Que o poder, com um simples gesto da
polícia, afasta.
Os
caciques sindicalistas continuarão a assumir a postura de Che Guevara. Prontos
para travar a sua luta nos seus trajes de gala. Determinados a lutar nos salões
dourados de Matignon. Contra a obstinada primeira-ministra escoltada pelos seus
lacaios. (1)
Amanhã
haverá ainda mais gente nas ruas. Com certeza haverá ainda mais confusão. É
claro que haverá ainda mais tumulto. Obviamente, haverá ainda mais alvoroço.
No
início, a manifestação parecerá uma festa popular. Em algumas cidades, será
semelhante a uma missa. Com o seu desfile digno de uma procissão litúrgica. Ou
de uma marcha fúnebre liderada por alguns hierarcas.
Depois,
terminará no caos e no tormento. Com os golpes de cassetete desferidos pelas
hordas da polícia. Com o lançamento de bombas lacrimogéneas e granadas.
Abundantemente utilizadas pela CRS e por várias brigadas. Estes agentes
juramentados transformados em verdadeira milícia. Por Macron, que trabalha para
defender os interesses da finança.
Nada
abalará este barão da máfia atlantista. Muito menos os sindicalistas covardes e
expectantes. Nem os agitados do bocal setembristas. Estes revolucionários de um
dia que nos prometem para 10 de Setembro a Grande Noite. Com o seu programa
ridículo e o seu projecto de sociedade ilusório.
Decididamente, em França, o protesto excitante, atracção principal dos sindicalistas e activistas, tornou-se uma actividade politicamente distrativa.
Neste
jogo de protestos regulamentados, apenas a burguesia sai vencedora, mantendo
intacto o seu domínio sobre a sociedade.
Khider MESLOUB
1). Em 2023, Élisabeth Borne era primeira-ministra em Matignon, cercada por ministros jovens e simpáticos
Fonte: Quand
les syndicalistes et activistes français jouent à se faire peur – les 7 du
quebec
Este artigo foi traduzido para Língua
Portuguesa por Luis Júdice

Sem comentários:
Enviar um comentário