quarta-feira, 12 de maio de 2021

Tácticas de resistência popular às restricções estatais


12 de Maio de 2021
  Robert Bibeau 

Por 

Robert Bibeau Alonso Quijano

Dependendo da visão da crise covid-19 que consideremos, como uma epidemia virológica que acidentalmente desencadeou uma crise sanitária mundial para a qual os governos foram arrastados contra a sua vontade; ou a visão daqueles que consideram mais que esta crise sanitária oportuna (para quem?) tem sido usada pelos Estados burgueses para preparar as condições para uma guerra total entre as potências imperiais para a partilha dos mercados - as tácticas de resistência popular às medidas totalitárias de restrição diferem muito.

Na primeira perspectiva, activistas, especialistas e políticos grosseiros aderem aos mantras oficiais e propõem apoiar incondicional ou condicionalmente o governo dos bilionários. Os mais ousados - aqueles mais próximos dos espaços do poder do governo burguês - criticarão o executivo por não fazer o suficiente para se posicionar no tabuleiro eleitoral. A esquerda eleitoralista e oportunista, defendendo o discurso dominante, sugerirá que o estado dos ricos poderia ser requisitado para "fazer os ricos pagarem" por essa calamidade. Estas são as tácticas usuais pelas quais a ala esquerda da burguesia afasta a raiva popular e protege a classe do grande capital hegemónica. Para estes, a análise dos efeitos da crise “sanitária” é como se segue:

"A política dos políticos ao serviço das empresas capitalistas têm sido a defesa da chamada 'economia'. Todo o político que tenta defender os interesses dos capitalistas nacionais, cumpre a sua missão sob a bandeira do nacionalismo e da pátria ameaçada (sic). Inicialmente, ele negou a pandemia, não tomou as medidas dispendiosas necessárias e avançou com todos os tipos de políticas criminais para defender a "economia" (capitalistas nacionais). Assim, temos visto a concorrência para produzir máscaras, o escandaloso não-acordo entre grupos farmacêuticos sobre o fabrico de vacinas, e assim por diante, como a grosseira interdição de certas vacinas simplesmente porque elas vêm da Rússia (país capitalista concorrente) ou da China sob pretextos costurados com fio branco. Se seguirmos o fio comum, as necessidades do capitalismo, a busca pelo máximo de lucro, entendemos plenamente a política sanitária do governo. Os semi-confinamentos, a "incapacidade" da indústria farmacêutica de produzir uma vacina francesa (na verdade, a não-rentabilidade desta vacina em França), a não produção de máscaras, a não distribuição de "purificadores de ar" em escolas e locais de trabalho, a teimosa recusa em procurar ou tentar terapêuticas propostas pelos professores e pela prática curativa dos médicos. Se tivéssemos feito de acordo com um plano mundial, concentrar os recursos, os pesquisadores, as propostas e os seus estudos, com confinamento rigoroso durante um mês ou dois, enquanto tomávamos todas as medidas necessárias para evitar o contágio, mas à custa dos capitalistas, poderíamos falar mais, hoje, sobre o Covid e as suas variantes. Mas, no interesse da minoria que governa, era necessário "transformar a máquina em lucro", abrir escolas, enquanto se mantinham os transportes comuns cheios e a rebentar pelas costuras. Assim, para encher os bolsos da Big Pharma,os lacaios políticos propuseram drogas que, segundo pesquisadores, desenvolveram variantes ou eram inúteis. Além disso, impediram, por todos os meios, o surgimento de alternativas terapêuticas, apesar dos estudos e da prática dos médicos que actuam no terreno. »

Só existe a esquerda para acreditar por um instante que o Estado capitalista ao serviço dos ricos pode tributar o capital para garantir a segurança dos trabalhadores? Mesmo nos poucos países desenvolvidos, onde os governos dos lacaios distribuiram esmolas pelos trabalhadores confinados e colocados em desemprego forçado, o operário sabe muito bem que terá que pagar cada dólar recebido do estado espoliador e inquisidor. No Chile, por exemplo, o Estado de esquerda já começou a saquear os fundos de pensão dos trabalhadores enquanto a pandemia não acaba:  https://queonossosilencionaomateinocentes.blogspot.com/2021/05/chile-os-saques-dos-fundos-de-pensao.html

De acordo com a segunda perspectiva, uma pergunta orienta a implantação e as tácticas da luta popular: o que é que orienta "a política sanitária da classe dominante e do seu governo"?

Em primeiro lugar, é a manutenção da força de trabalho em boas condições de funcionamento. O custo das horas perdidas por doenças foi significativamente reduzido em países desenvolvidos onde o trabalho é caro, enquanto a produtividade dos trabalhadores aumentou.

Assim, os maus-tratos aos escravos foi relativamente proporcional à sua disponibilidade. Quando eles diminuíram em número como resultado da perda de poder do Império Romano, ou o seu custo de manutenção foi alto, eles foram libertados ou exterminados. Teorias religiosas e filosóficas vieram para justificar a sua miserável condição de vida.

Em tempos feudais e capitalistas, foi o custo da manutenção e dos cuidados das classes dominantes e um segmento socialmente necessário da população que se tornou decisivo na definição da política sanitária dos governos, desde que essa manutenção em saúde renda mais do que aquilo que custa. Quando há uma superabundância da força de trabalho (ou quando os meios materiais não estão disponíveis), dependendo do critério de custo-efectividade, os serviços de saúde são reduzidos ou abolidos para a manutenção da força de trabalho alienada e despossuída.

Quando há uma crise de lucros do capital, como tem sido o caso há décadas, os deuses políticos que governam, primeiro reduzem os custos indirectos, incluindo a manutenção da saúde da força de trabalho. Mesmo que os ricos se limitem às condições de reprodução da espécie (remoção de benefícios para grandes famílias) e cuidados paliativos e tentem torná-los rentáveis para compensar a queda na rentabilidade da producção mercantil.

Por isso, no meio de uma pandemia, o estado burguês continua a eliminar camas hospitalares e a reduzir os serviços sanitários.

Não são os "sentimentos humanos" (embora este argumento seja amplamente utilizado para justificar tudo) que ditam a política sanitária, mas a questão central de uma sociedade que serve o capital e a sua rentabilidade, a questão do lucro máximo num mundo de competição perpétua e guerra tarifária entre empresas e nações exploradoras.

A saída definitiva seria organizar uma nova sociedade cuja competição seria substituída pela cooperação que atende às necessidades ecológicas e materiais da humanidade. Isso deve acabar com o sistema de estados-nação capitalistas e burgueses, que se tornou um grande obstáculo, tanto para a política de saúde social quanto para a economia com base em nmodo arcaico de producção de bens e serviços. A crise de Covid é a crise do sistema capitalista, incapaz de lidar com seja o que for para além de lucros em benefício de uma pequena minoria.

A crise de Covid é a crise política dos assalariados e do povo em geral que ainda é enganado por políticos corruptos, os Macrons, Johnsons, Trump, Biden e outros Putins que governam em benefício de um punhado de homens e mulheres corruptos que, graças a este sistema económico moribundo, exclui qualquer princípio de "necessidades humanas" que gozam, não por "malícia" , mas impulsionados pela lógica infernal do sistema do capital cuja única razão de ser é o lucro. Devemos abolir a sociedade do lucro para curar de todas as suas calamidades.

Neste tempo de pandemia social, a única táctica proletária é resistir de todas as formas aos confinamentos, recolher obrigatório e todas as medidas restritivas e inquisitivas destinadas a fazer os trabalhadores pagarem pela guerra sanitária, comercial e política que preparam uma outra guerra militar.

 

Fonte: Tactiques de résistance populaire aux restrictions Étatiques – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice


1 comentário:

  1. Vivemos numa sociedade ‘faz de conta’. A falsa esquerda é o pilar para eternizar a exploração do povo. Por cá o especulador Soros financiou nas presidenciais Marcelo, Ana Gomes, Marisa Matias e o candidato da iniciativa liberal. O fraudulento sistema capitalista dos ‘falsos opostos’ perpétua a ruína popular. A revolução só é possível estruturando as consciências das massas para depois passar aos actos.

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