[AST] A paz capitalista é a fonte da guerra
imperialista!
Fonte alemã: https://astendenz.wordpress.com/2025/10/20/der-kapitalistische-frieden-ist-die-quelle-des-imperialistischen-krieges/
No capitalismo mundial, a paz só pode ser um intervalo
entre guerras limitado no espaço e no tempo. No capitalismo, não pode existir
algo como a «paz mundial». Há sempre algum lugar onde a violência irrompe. Em
tempos de paz, os Estados preparam-se para a guerra através do rearmamento
militar. E em tempos de guerra, luta-se militarmente pelas condições da próxima
paz. Na paz capitalista, os proletários são explorados: produzem mais dinheiro
para o capital e o Estado do que eles próprios custam em forma de salário. E na
guerra devem matar e morrer pelos «seus» Estados capitalistas exploradores. A paz
capitalista não é uma alternativa à guerra imperialista, mas sim a sua fonte.
Paz e guerra na Ucrânia
Entre os Estados e os blocos estatais, a paz é a forma
não militar da competição pelas fontes de matérias-primas, pelos mercados de
venda e pelas esferas de influência geo-política. A partir de uma certa
intensidade, essa competição transforma-se em guerra. Assim, os blocos estatais
do imperialismo ocidental, a UE e a OTAN, ampliaram cada vez mais a sua
influência frente à Rússia imperialista através da sua expansão para o leste.
Quando o presidente ucraniano Yanukovych, também devido à pressão de Moscovo,
se recusou em 2013 a assinar o acordo de associação com a UE, formou-se no
Maidan um movimento socialmente reaccionário com uma ala pró-ocidental e
democrática e outra ultra-nacionalista e neo-fascista, que contou com o apoio
do imperialismo ocidental. Este movimento socialmente reaccionário derrubou
Yanukovych em Fevereiro de 2014 e estabeleceu um regime pró-ocidental, enquanto
o imperialismo russo anexou a Crimeia em Março de 2014. No leste da Ucrânia,
separaram-se as «repúblicas populares» pró-russas. Desenrolou-se uma guerra
civil. A Ucrânia foi apoiada pelo imperialismo ocidental e as «repúblicas
populares» pelo russo. Assim, a guerra civil na Ucrânia foi ao mesmo tempo uma
guerra imperialista pelo poder entre a Rússia e a OTAN.
Em Fevereiro de 2022, o imperialismo russo atacou directamente
a Ucrânia. Desde então, a OTAN e a UE travam uma guerra indirecta contra
Moscovo sob a forma de uma guerra económica cada vez mais intensa, bem como do
rearmamento financeiro, militar e de inteligência do regime pró-ocidental
ucraniano. A Ucrânia e o Ocidente colectivo utilizam-se mutuamente nesta guerra
por procuração contra a Rússia. O Ocidente como um todo prejudica o seu rival
imperialista, a Rússia, através da Ucrânia. O regime ucraniano tenta manter-se
no jogo sangrento através do rearmamento militar por parte do Ocidente.
Tanto o imperialismo russo como o ocidental estão a travar
essa guerra pelo poder às custas do proletariado mundial. No início do massacre
imperialista, os preços da energia e dos alimentos aumentaram consideravelmente
em todo o mundo. Isso também representou um grande fardo para o proletariado da
RFA (República Federal Alemã). Os sindicatos da DGB apoiaram a guerra económica
alemã contra a Rússia. A «solidariedade com a Ucrânia» do imperialismo
ocidental vai contra os assalariados deste país. Se trabalham, são submetidos a
uma dura exploração capitalista. Além disso, são recrutados em massa pelo
Estado ucraniano. São enviados para matar e morrer, em nome dos interesses do
regime capitalista ucraniano e do jogo geo-político do Ocidente colectivo. Para
os assalariados ucranianos, o seu «próprio» Estado e a OTAN/UE são inimigos de
classe estruturais, tal como o imperialismo russo.
A Rússia está a ganhar a guerra militarmente. O
imperialismo norte-americano sob Trump está muito interessado em pôr fim a esta
matança através de uma paz imperialista negociada com Moscovo. Mas isso implica
a cessão de territórios da Ucrânia à Rússia. E Moscovo também exige a
neutralidade militar da Ucrânia. Nem a Ucrânia nem a UE/as potências europeias
da OTAN estão dispostas a fazer concessões importantes ao Kremlin. E a Rússia
também não quer realmente pôr fim à guerra ainda. E nem mesmo o poder do imperialismo
norte-americano é suficiente para obrigar ambas as partes à paz. Daí a
hesitação de Washington entre as ofertas de paz a Moscovo e a continuação da
guerra.
Para o imperialismo alemão, a Rússia é o inimigo
número um. Está a armar-se contra ela. E prepara os seus cidadãos para a
guerra. Balançar à beira de uma guerra nuclear é o programa estatal alemão.
Trata-se de uma luta de classes vinda de cima contra o proletariado. A
administração social da miséria produzida pelo capitalismo deve piorar. Canhões
em vez de manteiga. E talvez em breve os proletários alemães também tenham que
matar e morrer no interesse do imperialismo alemão. Em primeiro lugar, em
guerras pelo poder, que agravam enormemente o perigo de uma destruição nuclear
excessiva.
Revolução Mundial em vez de pacifismo
nacional
O pacifismo costuma ter um carácter muito nacional.
Enquanto os políticos governantes da Alemanha armam militarmente o Estado e
exportam armas letais para zonas em guerra (Ucrânia, Israel), os pacifistas
nacionais desejam uma nação alemã pacífica. Ou seja, um mundo em que os lobos
contem às ovelhas uma bela história antes de dormir, mas não as devorem.
Concordo, os lobos governantes realmente contam histórias maravilhosas para
adormecer as ovelhas governadas, mas fazem isso para adormecê-las e poder
devorá-las melhor. O pacifismo nacional também é uma espécie de sonífero. Não
desarma os Estados beligerantes e armados, mas sim o proletariado na luta de
classes.
O pacifismo exige que os Estados finalmente parem de
guerrear entre si. Eles devem apenas cooperar entre si. Essa exigência
contradiz a competição imperialista entre os Estados, que é travada
militarmente nas guerras. A diplomacia, que os pacifistas defendem como suposta
alternativa à guerra, nada mais é do que uma arma especial da competição entre
Estados. Ela baseia-se na força económica e militar dos Estados. É uma forma
especial de impor os interesses imperialistas. Se os Estados podem impor os
seus interesses de forma diplomática e pacífica, tanto melhor. Se não for
assim, e os políticos governantes acharem que podem e devem travar guerras para
defender esses interesses, então o farão. A diplomacia prepara a guerra em
tempos de paz e a paz em tempos de guerra.
O pacifismo exige que os Estados se desarmem. Mas isso
não vai acontecer agora, em plena agravamento da dinâmica da crise capitalista
e da competição inter-imperialista. Só pode haver uma forma realista de
desarmamento: a destruição revolucionária mundial de todos os Estados!
Revolução mundial? Isso é realista? Bem, continua a
existir a possibilidade de que a luta de classes mundial se radicalize em
situações extremas excepcionais e dê origem a uma revolução social planetária.
Em contrapartida, quão realista é que os Estados deixem de guerrear entre si e
se desarmem militarmente de forma significativa?
Luta de classes contra o rearmamento e
as exportações de armas
Também na RFA é absolutamente necessária a luta de
classes proletária contra o rearmamento, a exportação de armas e os
preparativos para a guerra. A forma mais eficaz de luta de classes é a greve.
No entanto, as greves contra o rearmamento e a exportação de armas são
proibidas na Alemanha. Neste país, as «greves políticas» são consideradas
ilegais. Apenas são legais as greves organizadas pelos sindicatos com objectivos
negociáveis, como salários mais altos e jornadas de trabalho mais curtas. A
grande maioria dos sindicatos apoia o curso de rearmamento e guerra do
imperialismo alemão. Eles estão profundamente integrados no Estado alemão. As
greves contra o imperialismo alemão só podem ser selvagens e independentes dos
sindicatos. Não teríamos nada contra que elas se desenvolvessem.
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice
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