A chave para a tragédia que se aproxima?
Quem duvidaria das contradições económicas insuperáveis do capitalismo? A grande maioria, excepto talvez os especuladores de Wall Street e a máfia empresarial e corrupta em torno de Trump e seus similares no mundo, que se fartam como nunca antes.
Quem duvidaria da marcha para uma guerra imperialista generalizada? Também a grande maioria não. Nem dentro da burguesia que nela se prepara activamente. Nem dentro do proletariado que começa a sofrer os efeitos sobre as suas condições de vida e de exploração. Apenas ainda duvidam aqueles que enfiaram a cabeça na areia e se recusam a ver a realidade. Infelizmente, há mesmo destas avestruzes dentro do campo revolucionário.
Quem duvidaria das reacções presentes, certamente limitadas, e futuras das populações e do proletariado às consequências desta marcha para a guerra? Dentro da burguesia e dos seus aparelhos de Estado, são poucos. A tal ponto que se preparam, a nível político e repressivo, para manifestações e revoltas contra esta marcha para a guerra. Alguma dúvida? «Se tivermos um compromisso importante no Leste [uma guerra com a Rússia], isso não acontecerá sem agitação no território nacional: acções de proximidade, sabotagem, até mesmo manifestações, pois não tenho a certeza de que todos os nossos concidadãos sejam favoráveis a este tipo de compromisso. (...) Sem esperar necessariamente um compromisso como tal, penso que teremos manifestações, acções, retornos à segurança interna no território nacional. É para essa hipótese que nos devemos preparar 1 Por mais limitadas que tenham sido, as mobilizações proletárias de 2022, 2023 e 2024 no Reino Unido, na França, nos Estados Unidos, ou mesmo as mobilizações das últimas semanas no Canadá e na Bélgica2, para citar apenas estas, dão algum crédito aos receios do general francês.
Dada a omnipresença e o caráter totalitário dos aparelhos estatais hoje em dia – ainda mais actualmente, devido ao digital e agora à inteligência artificial –, qualquer reacção proletária às condições que lhe são impostas para a guerra só poderá afirmar-se e desenvolver-se através da greve de massas, da luta de massas. Ou seja, quebrando o mais rapidamente possível o isolamento de qualquer mobilização, enviando delegações massivas para as ruas e locais de trabalho mais próximos – e, portanto, enfrentando as forças policiais, ou mesmo as milícias, que tentarão reprimi-las. Ou seja, disputando com os sindicatos e outras forças de esquerda, ou mesmo esquerdistas, a direcção efectiva de cada luta. Ou seja, quebrando os quadros legais que regem os chamados direitos de greve, os mesmos que «autorizam» a greve desde que seja ineficaz. Ou seja, em última análise, assumindo o combate político contra todo o aparelho do Estado capitalista.
A luta proletária de massas é simultaneamente económica e política. É por isso que o papel das minorias políticas de que o proletariado se dota a nível histórico, hoje os grupos comunistas, amanhã o partido comunista mundial, é igualmente indispensável. Saber orientar-se nas tempestades que se avizinham, dominar da melhor forma «a greve de massas (...) como a forma universal da luta de classes proletária», tal como a definiu Rosa Luxemburgo, é o papel e a responsabilidade quase exclusiva das forças comunistas. Reconhecer os diferentes momentos e campos das batalhas sucessivas e adaptar as palavras de ordem correspondentes a cada um desses momentos fará com que essas forças possam desempenhar o papel de direcção política efectiva do proletariado ao longo de toda a sua luta. Somente nessas condições é que a massa dos proletários fará suas as palavras de ordem do partido e que as suas fracções mais combativas e conscientes se unirão a ele para fortalecê-lo.
Em Que fazer?,
Lenine definia essa relação entre partido e classe, minorias comunistas e
massas proletárias, como «a questão
fundamental do papel da social-democracia em relação ao movimento de massas
espontâneo». Cento e vinte anos depois, ela é ainda mais fundamental, pois
a greve de massas é a única arma de que o proletariado dispõe para enfrentar a
guerra imperialista e opor-lhe a sua insurreição de classe e o exercício da sua
ditadura.
A redacção, 10 de
Dezembro de 2025
1.
Declaração
do general Bonneau, em 29 de Outubro, comandante da força policial militar
francesa, a gendarmerie, que patrulha, vigia e controla todo o território
nacional francês. Nessa qualidade, tem como tarefa não só vigiar todo o
território, mas também reprimir, se necessário. Além disso, fornece metade das
forças anti-motim encarregadas de controlar e reprimir as manifestações de rua.
Em caso de mobilização geral, tem a tarefa de a implementar e perseguir
desertores, bem como qualquer manifestação que viole a «defesa e unidade
nacional».
2.
A lista está longe de ser exaustiva e deixamos
de lado as revoltas populares no Nepal, Indonésia, Filipinas, Marrocos, etc.
Fonte: www.igcl.org
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice
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