Pesquisa realizada por Robert Gil
Menos de 75 anos após o aparecimento da primeira colónia inglesa da
Virgínia, em 1607, surgiram outras 12 colónias: New Hampshire, Massachusetts,
Rhode Island, Connecticut, Nova Iorque, Nova Jérsia, Pensilvânia, Delaware,
Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia. Na década de 1770, a
população das 13 colónias britânicas ao longo da costa atlântica, a leste dos Apalaches,
era de 2,5 milhões de habitantes.
Desde o início, os futuros Estados Unidos foram criados sobre os cadáveres
da população indígena local. As terras da América foram conquistadas através do
engano, da corrupção e da força. A população indígena foi submetida a
genocídio, incluindo a transmissão deliberada de doenças infecciosas às quais
os índios não tinham imunidade. A "aguardente", um álcool de má
qualidade e adulterado, era mais eficaz do que as armas de fogo, pois matava
gerações inteiras e levava à sua degeneração e degradação. Colocaram as tribos
umas contra as outras e depois, aproveitando-se da sua superioridade técnica,
os numerosos colonos expulsaram-nas para terras áridas e desérticas.
Estacionaram-nos em reservas, condenando-os a uma extinção lenta e dolorosa e
matando aqueles que tiveram a coragem de resistir: "um bom índio é um índio morto".
Bandos de migrantes, criminosos deportados e fugitivos em busca de lucro e
ouro, aventureiros e fanáticos religiosos acorreram ao Novo Mundo, prontos para
enganar e matar, para se apoderarem da terra, destruindo impiedosamente,
expulsando e escravizando os nativos, que foram ignorados. O que é interessante
é que estes "aventureiros/predadores" chegaram inicialmente à América
num estado muito pobre, com os seus navios a necessitar de grandes reparações,
famintos e doentes, e mal conseguindo estabelecer-se no novo continente. As
muitas tribos índias poderiam facilmente ter morto e atirado ao mar a primeira
vaga de colonos. Mas os índios (lembrem-se de Pocahontas) fizeram o contrário:
apoiaram os estrangeiros, ajudaram-nos a construir casas e a alimentarem-se.
Sem a ajuda dos índios, os colonos não teriam conseguido passar o primeiro Inverno.
Assim, os colonos conseguiram estabelecer-se, instalar-se e esperar por ajuda.
Em agradecimento, massacraram sistematicamente os seus benfeitores índios.
Os nativos foram eliminados de forma fanática e sádica, como animais raivosos.
E foram os caçadores de cabeças brancos que ensinaram os guerreiros índios a
coleccionar escalpes, quando os ingleses e os franceses lutavam pelo domínio do
continente. Nos primeiros tempos em Nova Inglaterra, por exemplo, a legislatura
fixou o preço de um escalpe índio em 50 libras. Não importava se eram homens,
mulheres ou crianças. Por outras palavras, os assassínios mais brutais eram
incentivados a partir de cima, por lei. Brigadas inteiras de "caçadores de
cabeças" foram formadas. Os massacres eram maciços. Levar um saco de
escalpes ou, por vezes, de orelhas às autoridades locais era uma actividade
lucrativa, rentável e perfeitamente normal. Mais tarde, o preço de um escalpe
desceu para menos de 5 dólares. Recorde-se que foram sobretudo os protestantes
que chegaram à América do Norte. Para eles, os índios não eram pessoas no
sentido em que o entendemos. Os índios eram considerados animais
semi-inteligentes, pelo que as normas morais geralmente aceites não se
aplicavam a eles. Os futuros americanos exterminaram milhões de ameríndios, ou
seja, os verdadeiros americanos.
No século XVII, cerca de 50 milhões de bisontes, o maior mamífero terrestre
da América, pastavam nas planícies do continente norte-americano, antes de
serem praticamente exterminados durante o século XIX. Foi caçado para lazer
pelos colonos e depois morto em massa pelo exército americano para enfraquecer
os ameríndios. A redução do rebanho de bisontes durante o século XIX pôs em
causa o modo de vida dos ameríndios, que dependiam muito deste animal. Era o
seu alimento básico. Utilizavam também a pele e a lã para o vestuário e o
estrume como combustível. Como o exército americano não conseguia derrotar os
ameríndios no campo de batalha, principalmente devido à sua mobilidade,
intensificou o abate dos bisontes para os enfraquecer de outra forma e, assim,
forçá-los a render-se. Não existe nenhum outro exemplo de uma extinção tão
maciça e rápida de qualquer outra espécie animal.
Foi com base em "tratados" redigidos por homens brancos, ao
abrigo dos quais os nativos "vendiam" as suas terras sem
compreenderem bem o seu significado, que os colonos puderam apoderar-se delas.
Estes "tratados" permitiam não só que os "novos
proprietários" expulsassem os índios das suas terras, mas também que um
exército profissional os exterminasse legalmente. Houve também um grande número
de "tratados", que nunca foram respeitados pelos colonizadores, e que
serviram apenas para enganar as populações indígenas demasiado ingénuas, que
acreditavam na sua palavra. Só o seu grande número de tribos, dispersas por um
imenso território, lhes permitiu evitar a destruição total. Mas apenas uma
ínfima parte dos aborígenes sobreviveu. Os descendentes das tribos outrora
livres foram reunidos em reservas. O império americano foi fundado sobre o
genocídio e o tráfico de escravos, com a sua exploração implacável. Tendemos a
esquecer isto... O dia 12 de Outubro de 1492 deveria ser um dia mundial para
recordar que sociedades e ecossistemas que tinham evoluído independentemente do
resto do mundo durante cerca de 12 000 anos foram destruídos pela ganância de
aventureiros europeus. Desde então, a ânsia de posse do "povo
americano", que, num delírio paranoico, se considera "a nação
indispensável" e, num delírio místico, acredita que "Deus os ama e
abençoa", está agora a pôr em perigo todo o planeta.
Fonte: La conquête de l’ouest et l’extermination des Indiens – les 7 du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice
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