sábado, 26 de março de 2022

Ucrânia: a primeira de muitas vítimas de um conflito entre potências hegemónicas

 


John J. Mearsheimer, nascido em 14 de Dezembro de 1947, é um cientista político americano e estudioso de relações internacionais , que pertence à escola realista de pensamento . Ele é o R. Wendell Harrison Distinguished Service Professor na Universidade de Chicago . Foi descrito como o realista mais influente da sua geração. 

Mearsheimer é mais conhecido por desenvolver a teoria do realismo ofensivo , que descreve a interacção entre grandes potências como sendo impulsionada principalmente pelo desejo racional de alcançar a hegemonia regional num sistema internacional anárquico . De acordo com sua teoria, Mearsheimer acredita que o crescente poder da China provavelmente a colocará em conflito com os Estados Unidos.

Também se deve Mearsheimer o argumento de que o lobby israelita exerce uma influência desproporcional sobre a política externa dos EUA, como se pode concluir pelo que afirma no seu livro de 2007 The Israel Lobby and US Foreign Policy.

No documentário que aqui edito – onde pode aceder a legendas em português – este geo-estratega de reputação internacional apresenta uma deveras pertinente análise dos antecedentes, do desenrolar e das consequências previsíveis da Nova Guerra da Ucrânia. Por ser, de longe, a mais clarividente das análises a que tivemos acesso até hoje a propósito deste drama que pode servir de gatilho para a eclosão da III Guerra Mundial, sugerimos a atenta audição deste vídeo.

Segundo este geo-estratega, trata-se de uma guerra que verá surgir novas armas de destruição massiva (biológicas, bacteriológicas, virais) e armas nucleares lançadas por foguetões supersónicos. Uma das conclusões mais significativas a que John Mearsheimer chega neste vídeo é a de que o povo ucraniano serviu de carne para canhão para os poderosos interesses imperialistas, e foi a primeira vítima deste conflito entre potências hegemónicas.

Poderão, então, compreender, porque é que os marxistas (não os revisionistas) defendem que a solução passa pela unidade entre os operários ucranianos e russos para transformar esta guerra inter-imperialista em guerra contra o imperialismo e pela construção de um sistema onde não seja mais possível a ganância, a morte, a humilhação a mais desenfreada pilhagem de recursos, isto é, a exploração do homem pelo homem.

Poderão também compreender como é que os lacaios do imperialismo americano, uma vez mais, servem de capacho para as negociatas que os EUA pretendem consolidar ao criar as condições para que ocorram a guerra, para depois impôr sanções que facilitem a venda massiva dos seus produtos, a preços substancialmente mais elevados dos que os praticados pelos países alvo dessas sanções. Para já, o gás. Mas, não esperem pela demora, muitos outros se seguirão.



A classe operária e os trabalhadores assalariados de toda a Europa e da Eurásia (sobretudo a Rússia e a Federação Russa que lidera), têm de ter consciência de que a guerra, ostensivamente provocada pelos EUA e seus aliados na Europa, visou – como todas as guerras imperialistas – facilitar e reforçar os seus negócios no continente, ao mesmo tempo que lhe dá um fôlego suplementar para enfrentar a crise sistémica, a inflação e a estagflação que a atormenta.

Está já a sentir-se, em todos os países europeus, e sobretudo naqueles que são os elos mais fracos do sistema imperialista na Europa – como são os casos de Portugal, Espanha e Itália – o aumento brutal do gás e do petróleo, bem como de toda a fileira de produtos que são directamente afectados pelos aumentos que se estão a registar – quase diariamente – naqueles produtos.

Confrontados, há já vários anos, com sucessivas depreciações dos seus salários e com uma taxa de distribuição da riqueza cada vez mais favorável ao grande capital, a classe operária e os restantes escravos assalariados verão agravar-se, cada vez mais, as suas condições de vida, a baixa dramática do seu poder de compra, o desemprego, o aumento sistemático da precariedade e, claro está, a iminência de uma guerra total – eventualmente nuclear -, a nível europeu e mundial.

Serão, uma vez mais – como aconteceu em conflitos mundiais anteriores – chamados a servir de carne para canhão, não para defender os seus próprios interesses, mas para defender os interesses das “suas” burguesias. Tal como o presente conflito entre a Rússia e a Ucrânia o tem demonstrado até à exaustão, os operários e restantes escravos assalariados não podem seguir o padrão de comportamento dos lacaios dos EUA que rapidamente trocaram um senhor da guerra – Putin – por outro – Biden.

Os operários e restantes escravos assalariados têm de se libertar de todo o tipo de senhores e ver-se livre de síndrome de escravos que toda a sorte de oportunistas lhe tenta incutir.

Tal como dizia um dos mais prestigiados dirigentes africanos, saídos da guerra de libertação do colonialismo em África – Keneth Kaunda – os operários e restantes escravos assalariados, não podem enxotar o urso pela porta da frente, para deixar entrar, pela janela, a ave de rapina que é a águia americana ou mesmo o aparentemente simpático panda chinês.

Tem de assumir, autonomamente, a sua estratégia de classe que consiste em transformar a guerra imperialista em guerra cívil revolucionária e, atenta a natureza internacionalista da sua luta, criar as condições, a nível mundial, para acaber com o sistema de exploração do homem pelo homem.

Não porque esteja de acordo com tudo aquilo que John J. Mearsheimer afirma no seu registo de vídeo, mas porque considero um contributo importante para o enquadramento adequado das razões, a montante e a juzante, que levaram ao presente conflito, em pleno coração da transição da Europa para a Ásia, aqui deixo, para vossa visualização, análise e crítica, o supramencionado vídeo.




Luis Júdice

 

26 de Março de 2022

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