Fertilizar o passado engendrando o futuro, tal é o sentido do presente
Friedrich Nietzsche
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Política, Estado e Sociedade: Marxismo vs.
Revolução Russa (Emma Goldman))
Mais um texto para entender que não há
soluções dentro do sistema, que nunca houve e que nunca haverá...
Solução? Um breve resumo aqui ► Manifesto da sociedade de empresas
~ Resistência 71 ~
A desilusão de Emma Goldman com
o marxismo-leninismo (bolchevismo) e não com a Revolução Russa
Marxismo contra a Revolução Russa
Fonte Babelio |
Emma Goldman (1924) - Brasil | Novembro 2017 |
Fonte ► https://robertgraham.wordpress.com/2017/11/18/emma-goldmans-disillusionment-with-marxism-leninism-not-the-russian-revolution/
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Traduzido do Inglês por Resistance 71 ~
Os críticos socialistas não bolcheviques (não marxistas-leninistas) do
fracasso russo argumentam que a revolução não poderia ter sido um êxito na
Rússia porque as condições industriais ainda não tinham atingido o nível
elevado necessário nesse país. Referem-se a Marx, que ensinou que a revolução
social só é possível em países com um sistema industrial elevado, associado aos
antagonismos sociais que o acompanham. Argumentam, por isso, que a revolução
russa não pode ter sido uma revolução social e que, historicamente, teve de
evoluir segundo linhas constitucionais e democráticas, complementadas por uma
indústria em crescimento, para que o país estivesse maduro para uma mudança
básica.
Esta visão marxista ortodoxa ignora um factor, talvez o factor mais vital
para a possibilidade de sucesso de uma revolução social, mais vital do que o
elemento industrial: o da psicologia das massas num dado momento. Por que
razão, por exemplo, não há uma revolução social nos Estados Unidos, em França
ou mesmo na Alemanha? Estes países atingiram certamente o ponto culminante
industrial estabelecido por Marx. (NdT Na
verdade, não, Goldman está errado neste ponto, o clímax ainda não tinha sido
atingido, a mercadoria ainda não tinha alcançado a fase final da sua tirania...
Basta comparar com hoje, estamos muito mais perto, um século depois...) A verdade é que o desenvolvimento
industrial e os grandes contrastes sociais não são, por si só, meios
suficientes para dar origem a uma nova sociedade ou para apelar a uma
revolução. A consciência social e a psicologia de massas necessárias não
existem em países como os Estados Unidos e noutras cidades. Isto explica o
facto de não ter havido nenhuma revolução social nesses países.
Neste aspeto, a Rússia estava em vantagem em relação a outros países mais
industrializados e mais "civilizados". É verdade que a Rússia não era
tão avançada do ponto de vista industrial como os seus vizinhos europeus. Mas a
psicologia das massas russas, inspirada e intensificada pela Revolução de Fevereiro
(1917), estava a amadurecer a uma velocidade tal que, em poucos meses, o povo
estava pronto para palavras de ordem ultra-revolucionárias como "Todo o poder aos Sovietes" e "A Terra para os camponeses, as fábricas para
os operários".
O significado destas palavras de ordem não deve ser subestimado.
Expressando amplamente a vontade instintiva e semi-consciente do povo,
significavam a reorganização social, económica, política e industrial da
Rússia. Que país da Europa ou das Américas está preparado para interpretar tais
palavras de ordem revolucionárias e pô-las em prática na vida quotidiana? No
entanto, na Rússia, em Junho e Julho de 1917, estas palavras de ordem
tornaram-se populares e entusiasmadas, activamente postas em prática sob a
forma de acções directas, pela massa da população agrária e industrial de mais
de 150 milhões de pessoas. Isto era prova suficiente de que o povo russo estava
"maduro" para a revolução social.
Quanto à "preparação económica" no sentido marxista, não devemos
esquecer que a Rússia é um país essencialmente agrário. O diktat de Marx
pressupõe a industrialização da população camponesa em todos os países
desenvolvidos, como um estádio de saúde social para a revolução. Mas os
acontecimentos na Rússia em 1917 mostraram que a revolução não espera por este
processo de industrialização e, mais importante, não pode esperar. Os
camponeses russos começaram a expropriar os grandes proprietários e os
operários começaram a apoderar-se das fábricas sem esperar, sem qualquer
conhecimento do diktat de Marx. Esta acção popular, em virtude da sua própria
lógica interna, fez avançar a revolução social na Rússia, anulando todos os
cálculos marxistas. A psicologia eslava revelou-se mais forte do que as teorias
social-democratas.
Esta psicologia envolvia o desejo apaixonado de liberdade, fomentado por um
século de agitação revolucionária entre todas as classes da sociedade.
Felizmente, o povo russo tinha permanecido politicamente pouco sofisticado e
intocado pela corrupção e confusão criadas no proletariado de outros países
pela liberdade "democrática" e pelo auto-governo. Neste sentido, os
russos permaneceram naturais e simples, intocados pelas subtilezas da política
partidária, dos truques parlamentares e das manipulações legais. Por outro
lado, o seu sentido primordial de justiça e de direito era forte e vital, sem a
delicadeza da desintegração da pseudo-civilização.O povo sabia o que
queria e não esperava pela "razão histórica inevitável" para o fazer:
recorria à acção directa. Para ele, a revolução era um facto da vida e não uma
teoria a ser discutida.
Assim, a revolução social ocorreu na Rússia, apesar do atraso industrial do
país. Mas fazer a revolução não foi suficiente. Era necessário que progredisse
e se expandisse, que evoluísse para uma reconstrução socio-económica. Esta fase
da revolução exigiu a plena participação da iniciativa pessoal e do esforço
colectivo. O desenvolvimento e o sucesso da revolução dependiam do
mais amplo exercício do génio criador do povo, da cooperação do proletariado
intelectual e manual. O interesse comum é o leitmotiv de todo
destino revolucionário, especificamente no seu lado construtivo. Este
espírito de propósito mútuo e solidariedade explodiu sobre a Rússia nesta
poderosa onda desde os primeiros dias de Outubro/Novembro de 1917. Inerentes
a este entusiasmo estavam as forças que poderiam ter movido montanhas se
tivessem sido guiadas pela consideração exclusiva do bem-estar de todo um povo. O
ambiente para tal eficiência era possível: as organizações de trabalhadores e
cooperativas agrícolas que abundavam na Rússia e a cobriam como uma rede de
pontes ligando cidades; os sovietes que se tornaram activos e eficazes nas
necessidades do povo russo e, finalmente, a intelligentsia cujas tradições
durante um século expressaram uma devoção heroica à causa da emancipação da
Rússia.
Mas tal desenvolvimento não estava de forma alguma na agenda dos
bolcheviques. Durante vários anos depois de Outubro, suportaram a manifestação das
forças populares, deste povo que levou a revolução a lugares cada vez mais
vastos. Mas assim que o Partido Comunista se sentiu suficientemente forte na
sela do governo, começou a limitar o campo da acção popular. Todas as acções bolcheviques que se
seguiram, todas as suas políticas subsequentes, mudanças de política,
compromissos, recuos e traições, métodos de repressão e opressão, perseguição,
terrorismo e extermínio de outras ideias políticas, foram apenas os meios
justificados pelo fim: a manutenção do poder do Estado nas mãos do Partido
Comunista. Na verdade, os próprios bolcheviques na Rússia não fizeram segredo
disso. O Partido Comunista, diziam eles, era a vanguarda do proletariado e a
ditadura devia permanecer nas suas mãos. Sem o campesinato, que nem a razvyoriska, nem a Cheka, nem os
massacres conseguiram persuadir a apoiar o regime bolchevique, o campesinato
tornou-se a pedra sobre a qual se esmagaram os melhores planos de Lenine. Mas
Lenine, um acrobata ágil, era eficiente na acção com uma margem mínima de
segurança. A "Nova Política Económica", ou NEP, foi introduzida mesmo
a tempo de evitar a catástrofe que estava lenta mas seguramente a minar todo o
edifício comunista.
( A NEP foi uma medida de capitalismo
de Estado com a qual Lenine e Trotsky cumpriram a sua parte do contrato com a
City de Londres e a sua filial de Wall Street, para tornar a futura URSS um mercado
cativo para os financeiros e industriais do império que emergiria da Primeira
Guerra Mundial: o Império Anglo-Americano.
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Para ampliar a reflexão e a análise, proponho-vos a Carta aos Trabalhadores da Europa Ocidental, de Peter
Kropotkin, Dmitrov, Rússia, em 28 de Abril de 1919; Este texto visionário de Kropotkin foi escrito em 1919 na Rússia, em plena
revolução russa, 2 anos antes da sua morte, e nesta análise, Kropotkin não só
prevê o futuro da URSS, a sua ditadura do partido de vanguarda e o seu
estrondoso fracasso, mas também, algo inédito até agora, permite-se dar-nos um
vislumbre do que será a verdadeira revolução social e a inevitabilidade do seu
surto natural.
►◄
Não podemos ignorar o conselho de Tolstói que afirmava; Todos sonham com a mudança ► A HUMANIDADE, mas ninguém pensa em mudar-se ► A SI mesmo...
Pois é a combinação de todas as suas leituras que nos permite não só
afirmar que não há soluções dentro do sistema, mas que a solução mais forte
para implementar AQUI
e AGORA, é substituir o antagonismo em acção há milênios
que, aplicado em diferentes níveis da sociedade, impede a humanidade de abraçar
a sua tendência natural à complementaridade, factor de unificação da
diversidade num grande todo sócio-político
orgânico: a sociedade das
sociedades. É a única coisa que ainda não foi tentada, ENTÃO VAMOS INOVAR!
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice
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