A chave para a tragédia que se aproxima?
19 de Janeiro de
2026 Robert Bibeau
Por IGCL/GIGC. Em La clé de la tragédie qui vient ? – Révolution ou
Guerre
O número 32 (Janeiro 2026) da revista
Révolution
Quem pode duvidar das contradições
económicas insuperáveis do capitalismo? A maioria das pessoas, excepto talvez
os especuladores de Wall Street e a máfia corrupta e oportunista em torno de
Trump e seus semelhantes no mundo, que se enriquecem como nunca antes.
Quem pode duvidar da marcha para uma
guerra imperialista generalizada? A maioria das pessoas certamente que não. Nem
entre a burguesia, que se prepara activamente para ela. Nem entre o
proletariado, que começa a sofrer os efeitos sobre as suas condições de vida e
exploração. Apenas aqueles que enterram a cabeça na areia e se recusam a ver a
realidade ainda duvidam. Infelizmente, existem mesmo essas avestruzes no campo
revolucionário.
Quem pode duvidar das reacções actuais,
certamente limitadas, e futuras das populações e do proletariado às
consequências dessa marcha para a guerra? Dentro da burguesia e dos seus
aparelhos estatais, poucos o fazem. A tal ponto que se preparam, a nível
político e repressivo, para manifestações e revoltas contra essa marcha para a
guerra. Alguma dúvida? «Se tivermos um compromisso importante no Leste [uma
guerra com a Rússia], isso não acontecerá sem agitação no território nacional: acções de proximidade, sabotagem, até mesmo
manifestações, pois não tenho a certeza de que todos os nossos concidadãos sejam
favoráveis a esse tipo de compromisso. (...) Sem esperar necessariamente um compromisso como tal, penso que teremos
manifestações, ações, retornos à segurança interna no território nacional. É
para essa hipótese que nos devemos preparar. [1]. » Por mais limitadas que
tenham sido, as mobilizações proletárias de 2022, 2023 e 2024 no Reino Unido,
na França, nos Estados Unidos, ou ainda as mobilizações das últimas semanas no
Canadá e na Bélgica [2], para citar apenas
estas, dão algum crédito aos receios do general francês.
No alvorecer de 2026, a única questão
que vale a pena, a questão-chave, é aquela que abrirá o caminho para uma guerra
generalizada ou para a revolução proletária. Pois essa é a única alternativa
que se apresenta à espécie humana. A sua solução está nas mãos do proletariado
e das suas minorias comunistas. Ela resume-se à capacidade do proletariado de
sair vitorioso do confronto massivo de classes que cada burguesia é obrigada a
travar contra o seu próprio proletariado.
Dada a omnipresença e o carácter totalitário dos aparelhos estatais hoje em
dia – ainda mais actualmente, devido ao digital e agora à inteligência
artificial –, qualquer reacção proletária às condições que lhe são impostas
para a guerra só poderá afirmar-se e desenvolver-se através da greve geral, da
luta em massa. Ou seja, quebrando o mais rapidamente possível o isolamento de
qualquer mobilização, enviando delegações massivas para as ruas e locais de
trabalho mais próximos – e, portanto, enfrentando as forças policiais, ou mesmo
as milícias, que tentarão reprimi-las. Ou seja, disputando com os sindicatos e
outras forças de esquerda, ou mesmo esquerdistas, a direcção efectiva de cada
luta. Ou seja, quebrando os quadros legais que regem os chamados direitos de
greve, os mesmos que «autorizam» a greve desde que seja ineficaz. Ou seja, in fine (em última análise),
assumindo o combate político contra
todo o aparelho do Estado capitalista.
A luta proletária de massas é simultaneamente económica e política. É por
isso que o papel das minorias políticas de que o proletariado se dota a nível
histórico, hoje os grupos comunistas, amanhã o partido comunista mundial, é
igualmente indispensável. Saber orientar-se nas tempestades que se avizinham,
dominar da melhor forma «a greve geral
(...) como a forma universal da luta de classes proletária», tal como a
definiu Rosa Luxemburgo, é o papel e a responsabilidade quase exclusiva das
forças comunistas. Reconhecer os diferentes momentos e terrenos das batalhas
sucessivas e adaptar as palavras de ordem correspondentes a cada um desses
momentos fará com que essas forças possam desempenhar o papel de direcção
política efectiva do proletariado ao longo de toda a sua luta. Só nessas
condições é que a massa dos proletários fará suas as palavras de ordem do
partido e que as suas fracções mais combativas e conscientes se unirão a ele
para fortalecê-lo.
Em Que
fazer?, Lenine definia essa relação entre partido e classe, minorias
comunistas e massas proletárias, como «a
questão fundamental do papel da social-democracia em relação ao movimento de
massas espontâneo». Cento e vinte anos depois, ela é ainda mais
fundamental, pois a greve geral é a
única arma de que dispõe o proletariado para enfrentar a guerra imperialista e
opor-lhe a sua insurreição de classe e o exercício da sua ditadura.
A redacção, 10 de Dezembro de 2025
Acolhido em http://www.igcl.org/-Revolution-ou-Guerre-
Fonte: La clé de la tragédie qui vient ? – les 7 du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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