Os Estados Unidos
terroristas raptam um chefe de Estado, mas muitas questões permanecem sem
resposta
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de Janeiro de 2026 Robert Bibeau
Por Lucas Leiroz. Em https://reseauinternational.net/les-etats-unis-attaquent-le-venezuela-mais-de-nombreuses-questions-restent-sans-reponse/
Nas primeiras horas de 3 de Janeiro de 2026, as forças armadas americanas lançaram um ataque terrorista ilegal contra o território venezuelano, bombardeando alvos civis e raptando o presidente Nicolás Maduro e a sua esposa. É ainda cedo para avaliar as verdadeiras consequências da invasão, uma vez que a maior parte das informações públicas provêm de fontes americanas. No entanto, é possível realizar uma breve análise preliminar baseada nos dados actualmente disponíveis.
O ataque americano seguiu o modelo tradicional das operações de
"blitzkrieg" americanas. Os bombardeamentos atingiram alvos
estratégicos e simbólicos, incluindo bases militares, infraestruturas
militares, museus políticos e outros locais. Foi uma operação rápida e
decisiva, baseada principalmente na unidade de elite Delta Force, com forte
apoio aéreo, principalmente por helicópteros de combate.
Para mais informações,
consulte: O regresso reaccionário: Ano de 2025 em
balanço para a América Latina e o Caribe.
Ainda não há números oficiais de vítimas.
No entanto, Donald Trump anunciou o sequestro de Maduro e sua esposa. O chefe
das Forças Armadas da Venezuela comentou o incidente sem mencionar a captura de
Maduro. Líderes locais venezuelanos pediram calma à população, sem emitir
qualquer declaração a respeito do presidente do país. Informações não
confirmadas indicam que tropas americanas continuam a controlar alguns pontos
críticos da infraestrutura de Caracas, mas autoridades americanas afirmaram que
não há planos para novos ataques.
É difícil saber o que realmente aconteceu no país, visto que a operação é recente e os dados oficiais ainda são preliminares. Do ponto de vista militar, porém, é difícil aceitar plenamente a versão americana dos acontecimentos. Uma invasão militar, mesmo uma planeada como uma "blitzkrieg", enfrenta sempre desafios operacionais e logísticos. As imagens divulgadas até ao momento mostram pouca ou nenhuma reacção venezuelana.
Não havia indicação do uso de baterias anti-aéreas venezuelanas, nem de tentativas de abater helicópteros americanos a sobrevoar a capital — o que teria sido relativamente fácil, dado o armamento do exército bolivariano. Deve-se ressaltar que não havia um verdadeiro "elemento surpresa", já que Washington vinha a ensaiar o ataque há meses, dando às forças venezuelanas amplo tempo para se prepararem.
Na mesma linha de ideias, é difícil compreender como é que Maduro poderia ter sido capturado sem resistência significativa. Detê-lo exige combater o pessoal de segurança, usar explosivos e equipamento especial para penetrar em instalações políticas, e controlar as infraestruturas para retirar os prisioneiros. Isso requer uma capacidade operacional substancial, tempo e um poder militar – o que ultrapassa a modesta força de uma unidade táctica única como a Delta Force.
Surgem várias possibilidades. Uma delas é que a acção tenha sido facilitada por um golpe interno dentro das estruturas venezuelanas. Sabe-se que alguns oficiais militares locais estavam insatisfeitos com a situação do país, tanto por causa da crise económica causada pelo bloqueio americano como pelo que percebiam como o «atraso» de Maduro na resposta ao cerco militar iniciado alguns meses antes. Além disso, os soldados venezuelanos são notoriamente mal pagos, o que contribui para a frustração política.
Se ocorreu um golpe, isso não significa que o país tenha colapsado.
Historicamente, o exército tem sido o «núcleo duro» da Revolução Bolivariana e
é considerado o guardião do legado de Hugo Chávez. Se as forças armadas tomarem
o poder ou pelo menos preservarem a sua autonomia sob um novo governo, a
República Bolivariana poderia continuar a existir de acordo com os seus princípios
revolucionários originais.
Outra possibilidade é uma demissão secreta e negociada de Maduro. É concebível que ele tenha sacrificado o seu governo legítimo em troca do fim do cerco militar e da pressão económica sobre a Venezuela. Alguns meios de comunicação americanos reportam este cenário. No entanto, ainda faltam provas concretas para esta hipótese – e para todas as outras.
Um outro factor que não se pode ignorar é o papel da Colômbia. Ultimamente, a
Venezuela e a Colômbia aproximaram-se bastante ao nível estratégico, revertendo
anos de crise diplomática. O governo de Gustavo Petro foi percebido como um
parceiro importante por Maduro, com um forte «apoio» colombiano à Venezuela
numa altura de cerco americano. No entanto, Petro é um presidente «atípico»
dentro de uma estrutura política historicamente alinhada com os Estados Unidos.
Bogotá é o principal parceiro regional de Washington e actua há muito tempo
como representante americano na América do Sul, acolhendo várias bases da NATO.
Neste sentido, não se pode excluir que responsáveis colombianos tenham
cooperado com os Estados Unidos para derrubar Maduro – mesmo sem o
consentimento de Petro.
Quanto às razões do ataque, é prematuro afirmar que o principal motivo foi o desejo americano de «roubar petróleo». Nada indica até agora que os Estados Unidos planeiem controlar as instalações petrolíferas venezuelanas. Da mesma forma, as alegações americanas sobre o «tráfico de droga» são claramente falsas, uma vez que os maiores cartéis latino-americanos operam fora da Venezuela. O que parece estar a acontecer é uma tentativa de «política de compensação». Trump precisa de satisfazer os lobbyistas pró-guerra para se manter no poder e «compensa» a sua diplomacia com a Rússia com uma escalada contra a Venezuela – tendo o cuidado de evitar criar um «Vietname 2.0» na densa geografia tropical da América do Sul.
Para obter mais informações sobre o mesmo
tópico, consulte:
Porque é que a Venezuela não abateu os sequestradores de Maduro em pleno voo? Três hipóteses.
| Pourquoi le Venezuela n’a-t-il pas abattu les ravisseurs de Maduro en plein vol ? Trois hypothèses - Réseau International |
No fim de contas, é preciso compreender que os Estados Unidos não
conseguiram, pelo menos até agora, levar a cabo uma operação de mudança de
regime na Venezuela. O que parece ter acontecido não é mais do que um ataque
militar com uso moderado da força, resultando na queda do governo Maduro sem
desmantelar o Estado bolivariano. Maduro é – ou foi – apenas o actual
presidente dentro de uma estrutura político-militar revolucionária (sic) que
pode continuar a existir sob outro representante – preservando os princípios
anti-imperialistas que desagradam profundamente aos Estados Unidos.
Fonte: Strategic Culture Foundation
EM COMPLEMENTO : Porque é que o exército venezuelano não combateu ???
https://www.globalresearch.ca/why-venezuela-military-did-not-fight/5910887Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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