Democratas americanos: oposição de fachada e verdadeiro
pilar do regime de Trump
14 de Janeiro de 2026 Robert Bibeau
Por Khider Mesloub .
Os democratas americanos podem estar
indignados com a guinada fascista que as políticas de Trump tomaram, mas recusam-se
a combatê-lo, excepto através de farsas eleitorais. Eles não querem derrubar as
suas políticas, mas sim herdá-las depois que o trabalho sujo já tiver sido
feito. Eles não querem derrubar o regime fascista trumpista, mas sucedê-lo.
Querem herdar o seu poder já consolidado, o seu aparelho policial fortalecido, o
seu estado de emergência normalizado. Querem adoptar e adaptar os seus
fundamentos totalitários no seu futuro governo.
Quando Trump ataca a Venezuela, sequestra o
seu presidente, proclama um governo fantoche sob controle americano e anuncia
que o petróleo venezuelano será administrado por Washington, os democratas
americanos e a grande media controlada por bilionários não denunciam nem a
ilegalidade, nem a violência, nem o imperialismo predatório. Eles apenas
murmuram alguns alertas abstractos sobre "riscos totalitários". Nem
uma palavra sobre o crime. Nem uma palavra sobre a guerra predatória. Nem uma
palavra sobre a soberania violada.
Esse
silêncio não é fraqueza moral nem surpresa política. É coerência de classe.
Lealdade social. Convergência de visões capitalistas. Congruência ideológica
liberal.
O mundo assiste, atónito e incrédulo, ao
choque entre a brutalidade reaccionária de Trump e a quase total ausência de
uma oposição democrata genuína. De facto, o mundo está estarrecido com a
brutalidade obscena de Trump e com a quase total ausência de qualquer resposta
democrata.
Comentadores evocam depressão, divisão e
medo. Recusam-se a vislumbrar o ponto essencial: os líderes democratas são
cúmplices de tudo o que proteja os lucros americanos. Preferem a ditadura à
menor ameaça à ordem capitalista. Observadores recusam-se a reconhecer o óbvio:
o Partido Democrata é um partido burguês e imperialista, organicamente ligado
ao capital financeiro, e jamais lutará contra uma política que proteja os
lucros americanos, mesmo que isso signifique oprimir o povo e sufocar as
liberdades.
No entanto, continuam a encenar essa farsa
eleitoral: Trump contra os Democratas, como se o fascismo pudesse ser derrotado
por votos capitalistas, impressos pela burguesia. Como se fosse possível apagar
um incêndio com um extintor vazio. Como se a democracia capitalista ocidental
não fosse o berço histórico do fascismo.
Na realidade, os políticos democratas não
estão a lutar contra nada. Cientes da dimensão da crise económica do país e
determinados a preservar a hegemonia americana, eles apoiam silenciosamente
Trump na sua guerra social travada contra os proletários americanos e
imigrantes, bem como nas suas múltiplas guerras predatórias contra todos os
países.
Os políticos democratas estão à espera que
Trump complete a sua transformação totalitária para poderem colher os
dividendos eleitorais das suas políticas anti-sociais e repressoras da
liberdade, que pretendem perpetuar com alguns ajustes para parecerem menos
fascistas.
Os líderes democratas recusam-se a
qualquer impeachment, a qualquer ruptura com o passado, a qualquer mobilização
em massa. Apesar das repetidas violações da Constituição, do uso ilegal das
forças armadas e da flagrante guinada autoritária, a liderança democrata
rejeitou explicitamente qualquer possibilidade de queda de Trump. E com razão.
Eles apoiam essa política fascista. Essa derrocada totalitária. Trump precisa
ficar, agir, desgastar o povo, esmagar a resistência.
Como prova disso, poucas horas antes de um
discurso presidencial abertamente belicoso, a maioria dos senadores democratas
votou a favor de um orçamento militar próximo a um trilião de dólares. Os
congressistas democratas estão a financiar a própria guerra que dizem temer.
Estão a votar a favor de armas que matam dissidentes americanos e massacram
populações inteiras, incluindo o povo palestiniano. Estão a armar o imperialismo
predatório que afirmam estar a combater.
Durante a paralisação do governo, foram
eles que capitularam. Salvaram o governo Trump sob o pretexto de evitar
distúrbios sociais, embora essas crises tenham revelado a falência do sistema.
Isso não foi um erro: foi uma decisão política consciente para estabilizar o
Estado burguês e permitir que o governo Trump continuasse a sua transformação
totalitária.
A colaboração é total, desde governadores
a prefeitos "progressistas". Até mesmo figuras rotuladas como
"socialistas", nomeadamente o novo prefeito de Nova York, Zohran
Mamdani, acorrem à Casa Branca para fotos e parcerias com o presidente de
tendências fascistas. O socialismo deles é um distintivo de marketing, não uma
ameaça. Vermelho para Trump, rosa claro para Wall Street.
Enquanto milhões protestam contra a
derrocada rumo à ditadura, políticos democratas, em estreita colaboração com o aparelho
sindical, trabalham para sufocar a indignação social e neutralizar a luta.
Queixas judiciais estão a substituir a luta. Procedimentos estão a substituir a
resistência. A legalidade burguesa está a ser usada para desarmar a classe operária
americana.
Contudo, Trump não é uma anomalia ou um anacronismo. Ele é a expressão concentrada da classe capitalista americana. Ele não governa sozinho. Ele governa para os bilionários, os bancos, os fundos de investimento, o complexo militar-industrial. Ele é o homem deles (com as mãos sujas), a ferramenta brutal deles, a face obscena deles. Ele personifica a perversidade e o sadismo desesperado deles. O seu autoritarismo não é uma patologia pessoal, mas uma resposta de classe a contradições que se tornaram explosivas, uma necessidade histórica para uma classe dominante americana confrontada com o esgotamento do seu sistema e o declínio da sua hegemonia.
Os líderes democratas sabem disso. E é
precisamente por isso que não o estão a combater. Precisam de Trump para
disciplinar a sociedade, esmagar a resistência, neutralizar qualquer
perspectiva revolucionária e preparar um autoritarismo mais civilizado, mais
apresentável e institucionalizado, mas igualmente brutal. Um fascismo duradouro
e diluído. Um fascismo modificado que eles possam administrar
"democraticamente".
Não se
combate o fascismo com as regras da democracia burguesa. A história já o
escreveu com sangue. A lição de Hitler permanece válida: o fascismo não
desmorona através de eleições, mas sim através de uma ruptura revolucionária.
Somente
uma revolução social pode derrotar o fascismo. Desde que chegue até ao fim, ao
completo derrube do poder capitalista. Algo que os democratas americanos jamais
poderão sequer sonhar em alcançar. Porque estão fundamentalmente comprometidos
com a ditadura do capital. Esse capital que defendem com lealdade e crueldade
ao lado dos seus irmãos burgueses, os republicanos, que são obrigados a fazer o
trabalho sujo do capitalismo: provocar a guinada fascista para salvar a
hegemonia americana e, em seguida, legar esse governo totalitário aos
democratas, que os observadores apresentarão como salvadores.
Khider MESLOUB
Marx, Engels e Lénine ensinam correctamente
que «O Estado em todos os tempos nunca foi neutro». Marx acrescenta no
MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA:
«[O] governo moderno não é senão um comité que
administra os negócios comuns de toda a burguesia» (1848). Eles acrescentam em
«O 18 de Brumário de Luís Bonaparte»:
Os partidos parlamentares
enfrentam-se sobre a melhor forma de servir os seus mestres burgueses, mas
unem-se contra o proletariado sempre que a ordem social burguesa é ameaçada.
Lenine acrescentava em «O Estado e a
Revolução» (1917): «O parlamento é uma máquina para mascarar a dominação do
capital (...) o melhor invólucro político do capitalismo». Acrescentava: O
sufrágio universal não abole a propriedade privada nem a superioridade
conferida pela riqueza; a burocracia, o exército, a polícia, os meios de
comunicação e todos os instrumentos de dominação do capital. «A alternância
entre os partidos burgueses é uma alternância sem alternativa» TODOS servem o
capital em detrimento do trabalho, distinguindo-se apenas sobre «a melhor forma
de servir o capital e enriquecê-lo».
Engels em «Introdução às lutas de
classes em França» (1895) escreveu: «[O] sufrágio universal é um instrumento de
medição da maturidade política da classe operária, nunca um substituto para a
luta de classes» e o «eleitoralismo burguês» renegado consiste em substituir o
«voto» pela organização revolucionária e pela luta de classes para derrubar a
ditadura da burguesia e instaurar o socialismo.
No «Fracasso da II Internacional»,
Lenine denuncia os partidos social-democratas da época, que se tornaram os
renegados equivalentes contemporâneos, os LFI, trabalhistas, neo-democratas e
toda essa escumalha eleitoralista aburguesada, «por se terem tornado partidos
burgueses e por canalizarem a revolta operária para becos parlamentares».
Assim, TODOS os partidos burgueses
(democratas, republicanos, liberais, conservadores, social-democratas, LFI,
cripto-comunistas e socialistas e tutti quanti, ad nauseam amém) que a
burguesia faz eleger alternadamente pelo seu sistema eleitoral corrompido pelos
financiamentos patenteados, não passam de embuste, farsa, mentiras e engano,
como prova evidentemente o excelente texto do camarada Mesloub e TODA a
história da política eleitoralista burguesa.
Não satisfeito em impor os
candidatos da sua escolha, a burguesia não tem qualquer vergonha em fazê-los
mentir abertamente, desmentindo, logo após eleitos, TODAS AS SUAS PROMESSAS
ELEITORAIS FALSAS. Zelensky elege-se prometendo aplicar Minsk e negociar, e,
uma vez eleito, faz o contrário.
Criminoso eleitoral condenado e agressor sexual comprovado, Tr0mp foi eleito para
"parar guerras"; desde a sua eleição iniciou 7 guerras regionais;
raptou um presidente eleito; intensificando o genocídio do povo palestiniano
mártir; bombardeou e assassinou centenas de iranianos inocentes e pior. Quem
ainda pode ser tão mentiroso a ponto de acreditar em eleições burguesas
"democráticas e liberais"? Os jornalistas corruptos dos media
tradicionais dos bilionários e os auto-proclamados "propagandistas a soldo"
da burguesia.
Ao serviço dos proprietários de
escravos, passou sem hesitação de uma pseudo-república dos 20% de "homens
livres" que oprimiam os 80% de escravos, "metics" e libertos,
para um "império".
Sob o feudalismo, passou de uma
monarquia absoluta para uma monarquia ainda mais absoluta. Sob o capitalismo,
passou de uma «democracia eleitoralista falsa» para um Estado fascista e nazi,
puro e duro. Em suma, apenas «formas» que parecem diferentes, mas SEMPRE ao
serviço da classe dominante.
PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNÍ-VOS,
DESTRUAM ESTE SISTEMA ELEITORAL BURGUÊS E ESTABELEÇAM A VOSSA DITADURA
PROLETÁRIA REVOLUCIONÁRIA.
Este
artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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