segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A luta de classes é a força motriz da história.

 


A luta de classes é a força motriz da história.

25 de Janeiro de 2026 Robert Bibeau


Por Normand Bibeau e Robert Bibeau .

Os camaradas  expressam-se de forma estranha, opondo o «caos» à «luta de classes», como se a «luta de classes» fosse uma escolha facultativa.  Ver o artigo: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Três dias de greve geral na Bélgica (novembro de 2025)

Nunca Marx, Engels ou Lenine fizeram da "luta de classes" uma "escolha" que o proletariado teria que fazer, pois, independentemente da vontade de qualquer pessoa, seja ela proletária ou não, " a luta de classes é a força motriz da história ", como afirmaram Marx e Engels, entre outros, no " Manifesto Comunista ".

Nunca antes da Revolução de Outubro Lenine disse aos revolucionários bolcheviques: " Barbárie ou luta de classes " ou " Barbárie ou Sovietes ", pelo contrário, ele proclamou: "TODO O PODER AOS SOVIETES DE OPERÁRIOS, CAMPONESES E SOLDADOS SOB A LIDERANÇA DO PARTIDO BOLCHEVIQUE", porque a actividade revolucionária é uma ciência social sujeita aos princípios e regras da inevitável "luta de classes"... onde há opressão, há resistência.

Por que se expressar de maneira tão estranha? Será que os camaradas temem alienar a pequena burguesia ao afirmar que o proletariado poderia "escolher" a "luta de classes" e possivelmente derrubar o modo de produção capitalista (MPC) e fazer desaparecer as suas classes antagónicas (capitalistas versus proletariado)?

Na mesma lógica estranha da «liberdade de escolha», transposição do «direito à dissidência», eles proclamam: «BARBARIE ou GUERRA DE CLASSES». O que é que isso significa? Sob a ditadura mortífera, prestes a tornar-se genocida, da burguesia, o proletariado teria uma «ESCOLHA» e não mais uma missão histórica de fazer a REVOLUÇÃO PROLETÁRIA e INSTAURAR A SUA DITADURA e poderia «escolher» com o risco de preferir a «BARBARIE», como fez o proletariado mundial por ocasião das duas últimas Guerras Mundiais e de um número incalculável de guerras locais e regionais, sob o martelar ideológico, político e militar da burguesia e a traição dos dirigentes social-democratas e de várias esquerdas subornadas pela burguesia.

Os camaradas devem abandonar as palavras de ordem ambíguas e falsamente sensacionalistas e proclamar em voz alta que «a luta de classes» não é opcional: «a luta de classes é o motor da história»: «senhores e escravos; barões e servos; burgueses e proletários», como ensina o materialismo dialéctico e histórico, o MARXISMO.

O que é «opcional» é lutar pela emancipação do proletariado e, consequentemente, de toda a humanidade; lutar contra a exploração da imensa maioria dos trabalhadores por um punhado de exploradores capitalistas através da revolução proletária e da aniquilação da burguesia em todas as suas formas e disfarces OU servir esses exploradores capitalistas e manter o proletariado sob essa ditadura burguesa bárbara e desumana que leva a humanidade à sua aniquilação numa guerra mundial apocalíptica termonuclear que eles preparam febrilmente.


Vamos prosseguir com nossa análise da experiência marxista da luta de classes.

Veja aqui:  Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Três dias de greve geral na Bélgica (novembro de 2025)

LENINE levantou a questão do papel dos "sovietes dos operários, dos trabalhadores agrícolas, dos camponeses e soldados" a partir de uma perspectiva marxista da luta de classes nas suas " Teses de Abril " de 1917, quando escreveu:

"Não uma república parlamentar, mas uma república de Sovietes de deputados operários, trabalhadores agrícolas e camponeses em todo o país", com a OBRIGAÇÃO dos bolcheviques de CONQUISTAR POLITICAMENTE A MAIORIA DOS OPERÁRIOS, TRABALHADORES AGRÍCOLAS E CAMPONESES, e para esse fim, LENINE ordenou aos bolcheviques que empreendessem um trabalho corajoso, paciente e meticuloso de explicação e esclarecimento MARXISTA entre as massas sobre a necessidade de DERRUBAR DO PODER OS CAPITALISTAS, FEUDALISTAS E SEUS AGENTES DENTRO DO ESTADO, DA MEDIA E DOS SOVIETES sob o lema revolucionário: "EXPLIQUEM PACIENTEMENTE", lançado por Lenine em 1917.

Assim, Lenine fez da questão da liderança dos Sovietes, escolhida pelos próprios proletários, o único objectivo dos marxistas.

Após os Dias de Julho de 1917 e a repressão maciça que atingiu os bolcheviques, Lenine, em " O Estado e a Revolução ", escreveu: "A catástrofe iminente e como combatê-la":

Os sovietes podem perder o seu papel revolucionário e tornarem-se órgãos auxiliares da burguesia, contanto que sejam liderados por partidos oportunistas, daí a sua conclusão revolucionária:

"Os sovietes sem os bolcheviques não são nada."

Foi somente depois que os bolcheviques assumiram o controlo revolucionário dos sovietes que Lenine proclamou o lema revolucionário:

TODO O PODER AOS SOVIETES ", "O PODER DEVE SER TOMADO IMEDIATAMENTE. O PODER DEVE PASSAR PARA OS SOVIETES" (Carta ao Comité Central, Setembro de 1917).

Assim, a Revolução de Outubro foi organizada pelo Partido e o "Congresso Pan-Russo" ratificou a tomada do poder pelos "Sovietes de Operários, Camponeses e Soldados", então firmemente liderados pelos bolcheviques.

Os Sovietes tornaram-se a forma política da ditadura do proletariado soviético:

1- eleitos pelos operários, camponeses e soldados;

2- passíveis de revogação a qualquer momento;

3- ligados à produção;

4- ligados às massas como a carne à unha.

Em conclusão, Lenine estabeleceu o domínio absoluto da liderança dos Sovietes pelos bolcheviques como condição essencial para o sucesso da revolução e para o papel dos Sovietes na revolução.

Nesse aspecto, Lenine distinguiu-se de Rosa Luxemburgo , para quem "o pluralismo dos partidos operários não marxistas era essencial, a liberdade era superior à ciência e o marxismo, de facto, não deveria ser dominante" (" A Revolução Russa ", 1918), e de Pannekoek, para quem "a dominação de um partido, mesmo marxista, constituía alienação", "o Partido tinha apenas um papel educativo" e, finalmente, "os operários, imbuídos de ideias burguesas desde o nascimento, poderiam espontaneamente conduzir tudo de maneira revolucionária por algum milagre".

Agora todos sabem o que aconteceu com a Revolução Espartaquista liderada por Luxemburgo e Liebnieck: foi brutalmente reprimida e os nazis tomaram o poder. A Revolução de Pannekoek nunca se concretizou nos Países Baixos.

No caso de "julgar uma árvore pelos seus frutos", a árvore bolchevique (URSS) foi temporariamente mais prolífica do que as de Luxemburgo (Alemanha, Hungria) e Pannekoek (Países Baixos). Lenine tentou aplicar o marxismo, o materialismo dialéctico e histórico e a ciência revolucionária do proletariado às condições da Rússia czarista, feudal, não industrializada e arcaica.

Setenta anos depois, a República Soviética Pan-Russa, a URSS, e a sua zona tampão — o seu império — de protectorados “socialistas burgueses” na Europa Oriental, bem como os  “Estados-nação” burocráticos e capitalistas de Estado em todo o mundo, entraram em colapso, vítimas das contradições do capitalismo decadente. Veja o artigo: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A crise monetária desenrola-se em algumas etapas, seguida por uma recessão mundial.

Lenine nunca desistiu de conquistar o apoio do proletariado à ciência marxista; pelo contrário, incumbiu os comunistas proletários de realizar uma "educação comunista paciente, corajosa e laboriosa entre as massas, e assim os bolcheviques conquistaram o seu apoio revolucionário". Anteriormente, em " O Que Fazer? ", Lenine havia defendido esse dever de educação revolucionária para os marxistas dentro do seu próprio órgão de propaganda, que estava em guerra com a media burguesa.

Conjugadas no presente, essas lições  exigem que os marxistas autênticos reinvistam em TODOS os SINDICATOS e TODAS AS ORGANIZAÇÕES POPULARES, a fim de empreender uma luta de classes prolongada.

Embora seja justo concluir que os sindicatos e as organizações populares passaram para o controlo dos oportunistas ao serviço da burguesia, isso nunca deve significar que abandonamos os sindicatos dos proletários e as organizações populares à ditadura da burguesia. Pelo contrário, esse controlo fascista só pode ser momentâneo, pois, inexoravelmente, os interesses económicos do proletariado são antagónicos aos dos burgueses, seus patrões. Mesmo os sindicalistas burgueses renegados não podem mudar essa realidade económica absoluta.

Os revolucionários proletários internacionalistas devem OUSAR LUTAR, DEVEM OUSAR VENCER, INSTRUINDO ANTES DE LIDERAR O PROLETARIADO NA SUA MISSÃO HISTÓRICA DE FAZER A REVOLUÇÃO, LIDERANDO A LUTA CONTRA A BURGUESIA.

PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNÍ-VOS E LUTAI PELA VOSSA CLASSE PARA DERRUBAR A BURGUESIA!

 

Fonte: La lutte des classes est le moteur de l’histoire – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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