A luta de classes é a força motriz da história.
25
de Janeiro de 2026 Robert Bibeau
Por Normand Bibeau e Robert Bibeau .
Os camaradas expressam-se de forma estranha, opondo o «caos» à «luta de classes», como se a «luta de
classes» fosse uma escolha facultativa.
Ver o artigo: Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Três dias de greve geral na Bélgica
(novembro de 2025)
Nunca Marx, Engels ou Lenine fizeram da "luta de classes" uma "escolha" que o proletariado teria que fazer, pois, independentemente da vontade de qualquer pessoa, seja ela proletária ou não, " a luta de classes é a força motriz da história ", como afirmaram Marx e Engels, entre outros, no " Manifesto Comunista ".
Nunca antes da Revolução de Outubro Lenine
disse aos revolucionários bolcheviques: " Barbárie ou luta de classes " ou " Barbárie ou Sovietes ", pelo contrário, ele proclamou:
"TODO O PODER AOS SOVIETES DE OPERÁRIOS, CAMPONESES E SOLDADOS SOB A
LIDERANÇA DO PARTIDO BOLCHEVIQUE", porque a actividade revolucionária é
uma ciência social sujeita aos princípios e regras da inevitável "luta de
classes"... onde há opressão, há resistência.
Por que se expressar de maneira tão
estranha? Será que os camaradas temem alienar a pequena burguesia ao afirmar
que o proletariado poderia "escolher" a "luta de classes" e
possivelmente derrubar o modo de produção capitalista (MPC) e fazer desaparecer
as suas classes antagónicas (capitalistas versus proletariado)?
Na mesma lógica
estranha da «liberdade de escolha», transposição do «direito à dissidência», eles proclamam: «BARBARIE ou GUERRA DE
CLASSES». O que é que isso significa? Sob a ditadura mortífera, prestes a
tornar-se genocida, da burguesia, o proletariado teria uma «ESCOLHA» e não mais
uma missão histórica de fazer a REVOLUÇÃO PROLETÁRIA e INSTAURAR A SUA DITADURA
e poderia «escolher» com o risco de preferir a «BARBARIE», como fez o
proletariado mundial por ocasião das duas últimas Guerras Mundiais e de um
número incalculável de guerras locais e regionais, sob o martelar ideológico,
político e militar da burguesia e a traição dos dirigentes social-democratas e
de várias esquerdas subornadas pela burguesia.
Os camaradas devem
abandonar as palavras de ordem ambíguas e falsamente sensacionalistas e
proclamar em voz alta que «a luta de
classes» não é opcional: «a luta de classes é o motor da história»:
«senhores e escravos; barões e servos; burgueses e proletários», como ensina o
materialismo dialéctico e histórico, o MARXISMO.
O que é «opcional» é
lutar pela emancipação do proletariado e, consequentemente, de toda a
humanidade; lutar contra a exploração da imensa maioria dos trabalhadores por
um punhado de exploradores capitalistas através da revolução proletária e da
aniquilação da burguesia em todas as suas formas e disfarces OU servir esses
exploradores capitalistas e manter o proletariado sob essa ditadura burguesa
bárbara e desumana que leva a humanidade à sua aniquilação numa guerra mundial
apocalíptica termonuclear que eles preparam febrilmente.
Vamos
prosseguir com nossa análise da experiência marxista da luta de classes.
Veja
aqui: Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Três dias de greve geral na Bélgica
(novembro de 2025)
LENINE levantou a questão do papel dos
"sovietes dos operários, dos trabalhadores agrícolas, dos camponeses e
soldados" a partir de uma perspectiva marxista da luta de classes nas suas
" Teses de Abril " de 1917,
quando escreveu:
"Não
uma república parlamentar, mas uma república de Sovietes de deputados
operários, trabalhadores agrícolas e camponeses em todo o país", com a
OBRIGAÇÃO dos bolcheviques de CONQUISTAR POLITICAMENTE A MAIORIA DOS OPERÁRIOS,
TRABALHADORES AGRÍCOLAS E CAMPONESES, e para esse fim, LENINE ordenou aos
bolcheviques que empreendessem um trabalho corajoso, paciente e meticuloso de
explicação e esclarecimento MARXISTA entre as massas sobre a necessidade de
DERRUBAR DO PODER OS CAPITALISTAS, FEUDALISTAS E SEUS AGENTES DENTRO DO ESTADO,
DA MEDIA E DOS SOVIETES sob o lema revolucionário: "EXPLIQUEM
PACIENTEMENTE", lançado por Lenine em 1917.
Assim, Lenine fez da questão da liderança
dos Sovietes, escolhida pelos próprios proletários, o único objectivo dos
marxistas.
Após os Dias de Julho de 1917 e a
repressão maciça que atingiu os bolcheviques, Lenine, em " O Estado e a Revolução ", escreveu: "A catástrofe
iminente e como combatê-la":
Os sovietes
podem perder o seu papel revolucionário e tornarem-se órgãos auxiliares da
burguesia, contanto que sejam liderados por partidos oportunistas, daí a sua
conclusão revolucionária:
"Os
sovietes sem os bolcheviques não são nada."
Foi somente depois que os bolcheviques
assumiram o controlo revolucionário dos sovietes que Lenine proclamou o lema
revolucionário:
" TODO O PODER AOS SOVIETES ", "O
PODER DEVE SER TOMADO IMEDIATAMENTE. O PODER DEVE PASSAR PARA OS SOVIETES"
(Carta ao Comité Central, Setembro de 1917).
Assim, a Revolução de Outubro foi
organizada pelo Partido e o "Congresso Pan-Russo" ratificou a tomada
do poder pelos "Sovietes de Operários, Camponeses e Soldados", então
firmemente liderados pelos bolcheviques.
Os Sovietes tornaram-se a forma política da ditadura do proletariado soviético:
1- eleitos pelos operários, camponeses e soldados;
2- passíveis de revogação a qualquer momento;
3- ligados à produção;
4- ligados às massas como a carne à unha.
Em
conclusão, Lenine estabeleceu o domínio absoluto da liderança dos Sovietes
pelos bolcheviques como condição essencial para o sucesso da revolução e para o
papel dos Sovietes na revolução.
Nesse aspecto, Lenine distinguiu-se
de Rosa
Luxemburgo ,
para quem "o pluralismo dos partidos operários não marxistas era
essencial, a liberdade era superior à ciência e o marxismo, de facto, não
deveria ser dominante" (" A Revolução Russa ", 1918), e
de Pannekoek, para quem
"a dominação de um partido, mesmo marxista, constituía alienação",
"o Partido tinha apenas um papel educativo" e, finalmente, "os
operários, imbuídos de ideias burguesas desde o nascimento, poderiam
espontaneamente conduzir tudo de maneira revolucionária por algum
milagre".
Agora todos sabem o que aconteceu com a
Revolução Espartaquista liderada por Luxemburgo e Liebnieck: foi brutalmente
reprimida e os nazis tomaram o poder. A Revolução de Pannekoek nunca se
concretizou nos Países Baixos.
No caso de "julgar uma árvore pelos
seus frutos", a árvore bolchevique (URSS) foi
temporariamente mais prolífica do que as de Luxemburgo (Alemanha, Hungria) e
Pannekoek (Países Baixos). Lenine tentou aplicar o marxismo, o materialismo
dialéctico e histórico e a ciência revolucionária do proletariado às condições
da Rússia czarista, feudal, não industrializada e arcaica.
Setenta
anos depois, a República Soviética Pan-Russa, a URSS, e a sua zona tampão — o seu
império — de protectorados “socialistas burgueses” na Europa Oriental, bem como
os “Estados-nação” burocráticos e
capitalistas de Estado em todo o mundo, entraram em colapso, vítimas
das contradições do capitalismo decadente. Veja o artigo: Que o Silêncio dos Justos não
Mate Inocentes: A crise monetária desenrola-se em algumas etapas, seguida por
uma recessão mundial.
Lenine nunca desistiu de conquistar o apoio do proletariado à ciência marxista; pelo contrário, incumbiu os comunistas proletários de realizar uma "educação comunista paciente, corajosa e laboriosa entre as massas, e assim os bolcheviques conquistaram o seu apoio revolucionário". Anteriormente, em " O Que Fazer? ", Lenine havia defendido esse dever de educação revolucionária para os marxistas dentro do seu próprio órgão de propaganda, que estava em guerra com a media burguesa.
Conjugadas no presente, essas lições exigem que os marxistas autênticos reinvistam
em TODOS os SINDICATOS e TODAS AS ORGANIZAÇÕES POPULARES, a fim de empreender
uma luta de classes prolongada.
Embora seja justo concluir que os sindicatos e as
organizações populares passaram para o controlo dos oportunistas ao serviço da
burguesia, isso nunca deve significar que abandonamos os sindicatos dos
proletários e as organizações populares à ditadura da burguesia. Pelo
contrário, esse controlo fascista só pode ser momentâneo, pois, inexoravelmente,
os interesses económicos do proletariado são antagónicos aos dos burgueses,
seus patrões. Mesmo os sindicalistas burgueses renegados não podem mudar essa
realidade económica absoluta.
Os revolucionários proletários internacionalistas
devem OUSAR LUTAR, DEVEM OUSAR VENCER, INSTRUINDO ANTES DE LIDERAR O
PROLETARIADO NA SUA MISSÃO HISTÓRICA DE FAZER A REVOLUÇÃO, LIDERANDO A LUTA
CONTRA A BURGUESIA.
PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNÍ-VOS E LUTAI PELA
VOSSA CLASSE PARA DERRUBAR A BURGUESIA!
Fonte: La
lutte des classes est le moteur de l’histoire – les 7 du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice

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