A face hedionda do Rei Hussein da Jordânia!
27 de Janeiro
de 2026 Robert Bibeau
Versão em francês adaptada por René Naba, director do site https://www.madaniya.info/
A face hedionda
do Rei Hussein da Jordânia! A soldo da CIA, um espião de Israel.
O monarca hachemita, descendente da família do Profeta do Islão, esteve na
folha de pagamentos da CIA durante 30 anos e manteve também relações com a
Mossad israelita.
Por Jaafar Al Bakli, académico tunisino, investigador de temas islâmicos,
especialista em história política dos países árabes, em particular dos Estados
do Golfo; colunista do diário libanês Al Akhbar. As suas contribuições para
o https://www.madaniya.info/ pode ser encontrado no
ficheiro do autor.
René Naba, director do sítio Web https://www.madaniya.info/
O rei Hussein da Jordânia, que reinou durante mais de 46 anos (de 11 de
Agosto de 1952 a 7 de Fevereiro de 1999) e se auto-proclamava descendente
directo da família do profeta do Islão, figurou na lista de pagamentos (Pay
Roll) da CIA, a agência central de inteligência americana, durante trinta anos.
Segue-se o relato desta revelação narrada em árabe por Jaafar Al Bakli no
jornal libanês «Al Akhbar», datado de 30 de Abril de 2024, que relata a
conversa entre o presidente democrata Jimmy Carter, o jornalista do Washington
Post Bob Woodward e o editor-chefe deste jornal, Ben Bradley.
1 – As revelações do Washington Post; «O presidente dos Estados Unidos
olhou longamente para os seus dois convidados, antes de responder em voz baixa:
«É verdade».
Mas Bob Woodward, que ficou famoso pelas suas revelações sobre o escândalo
Watergate, que provocou a demissão do presidente republicano Richard Nixon
(1969-1974), não se contentou com esta resposta lacónica.
Bob Woodward voltou a questionar Jimmy Carter, perguntando ao presidente
americano se ele poderia confirmar as informações em seu poder de que o monarca
hachemita havia recebido verbas do orçamento da CIA durante trinta anos.
Um silêncio pesado instala-se então no Salão Oval e o rosto de Jimmy Carter
contrai-se, revelando sinais de grande irritação.
Virando-se para o seu conselheiro de segurança nacional, Zbigniew
Brezinski, em busca de uma resposta, o presidente americano depara-se com um
rosto impassível, impávido. Depois, reconsiderando, confirma a Bob Woodward as suas informações:
«As suas informações são verdadeiras. Mas devo informar que dei hoje
instruções para interromper imediatamente o pagamento de 750 000 dólares e
eliminar definitivamente o orçamento atribuído ao soberano jordaniano. De
qualquer forma, o rei Hussein já não precisa destas subvenções, tendo-se
tornado um dos líderes mais ricos do Médio Oriente», afirma Carter.
Ben Bradley, editor-chefe do Washington Post, comenta as declarações
presidenciais com estas palavras: «Fiquei realmente muito surpreendido que um
homem que não tem qualquer necessidade estenda a mão para pedir subsídios à
CIA, quando possui palácios na Europa no valor de milhões de dólares cada, além
de um haras no Reino Unido, no valor de dez milhões de dólares.
NDLA! De acordo com os Pandora Papers, a investigação jornalística sobre as
fortunas ocultas dos líderes mundiais, quando faleceu, em 3 de Fevereiro de
1999, o rei Hussein possuía várias propriedades luxuosas em vários locais do
planeta, incluindo três residências luxuosas em Point Dôme, numa colina com
vista para a praia de Malibu, na Califórnia (35 milhões de dólares)
E sete propriedades luxuosas no Reino Unido,
incluindo três no bairro nobre de Belgrave Square, em Londres, bem como em
Ascot e Washington (Estados Unidos).
O seu filho e sucessor, Abdallah, colocou 100 milhões de dólares em
empresas de fachada instaladas nas Ilhas Virgens (arquipélago das Antilhas), a
oeste de Porto Rico. A família real hachemita também possui contas numeradas no
Crédit Suisse, uma das quais no valor de 224 milhões de dólares.
Jimmy Carter fez um sinal, como para interromper a conversa sobre esse
assunto, e então dirigiu-se a Ben Bradley:
«Jody Powell, porta-voz da Casa Branca, informou-me que o Washington Post
estava prestes a publicar uma notícia bombástica sobre o rei Hussein. É uma
verdadeira exclusividade e fiquei pessoalmente surpreendido ao saber que
Hussein recebia um salário da CIA. Nem Henry Kissinger, secretário de Estado de
Gerald Ford, nem George Bush Sr., director da CIA, me informaram sobre esse
facto durante a sua reunião sobre o Médio Oriente....
Não está ao meu alcance intervir para impedir essa informação. Mas a
sua publicação sobre um antigo aliado dos Estados Unidos prejudica a segurança
nacional americana. A divulgação desta informação, no momento em que Cyrus
Vance, secretário de Estado, se prepara para realizar a sua primeira viagem ao
Médio Oriente, que inclui uma paragem na Jordânia, prejudica os interesses dos
Estados Unidos.
Depois, olhando directamente nos olhos dos dois jornalistas, Jimmy Carter
dirige-se a eles com um tom suplicante: «Fui franco e claro convosco. Agora é a
vossa vez de serem leais ao nosso país. Eu expus-vos toda a verdade e deixo-vos
a responsabilidade de decidir se é oportuno publicar — ou não — esta
informação. O interesse dos Estados Unidos diz-vos tanto respeito quanto a
mim.»
Resposta de Ben Bradley:
«É evidente que todos nós levamos este assunto muito a sério. Mas não tenho
o monopólio da decisão, que será colegial e emanará do Conselho Editorial do
jornal. Partilharei com os meus colegas as vossas apreensões e darei ênfase aos
aspectos sensíveis deste assunto. Agradeço o tempo que concedeu a mim e ao Bob.
No entanto, caso o Conselho Editorial do jornal considere que a função
jornalística não tem relação com a defesa de um regime e não deve preocupar-se
com a reputação de um rei... O único dever de um jornal é publicar a verdade».
NDLA: A entrevista de Jimmy Carter com os jornalistas do Washington Post
foi relatada por Ben Bradley no seu livro «A Good life: Newspapering and other
adventures» Simon And Schuster 1995, páginas 323, 425, 428.
2 – Nome de código «No Beef», a prevaricação do alto comando jordaniano
pela CIA.
Sobre este facto, em 16 de Fevereiro de 1979, o Washington Post publicou o
relato da relação entre o rei Hussein da Jordânia e a CIA, num artigo assinado
por Bob Woodward.
Sob o título «A CIA pagou milhões de dólares ao rei Hussein da Jordânia», o
artigo especifica que o monarca recebia 750 000 dólares por ano entre 1957 e
1977, ou seja, durante trinta anos. A isso se somava uma subvenção em dinheiro
do chefe da CIA em Amã, destinada aos oficiais superiores do exército
jordaniano e dos serviços de inteligência. A operação tinha o nome de código
«No Beef». O seu objectivo era dotar os Estados Unidos, através da Jordânia, de
influência sobre o poder decisório no Médio Oriente.
É evidente que a publicação do artigo do Washington Post causou um choque
na Jordânia. O Ministério dos Negócios Estrangeiros acusou o jornal americano
de ter elaborado um artigo que misturava especulação e difamação. Mas essa
resposta não impediu a Jordânia de demonstrar flexibilidade na gestão deste
caso.
«A confiança nos Estados Unidos não será afectada por esta campanha. O
Reino Hachemita continuará a manter relações estreitas com os seus amigos»,
prossegue o comunicado, mal disfarçando a irritação jordaniana.
3- O Mossad, espião filho de espião.
As relações do rei Hussein com os seus amigos não se limitaram à CIA. Elas
também incluíram o Mossad. Em 2023, por ocasião do 50.º aniversário da Guerra
de Outubro, os arquivos israelitas desclassificaram as conversas entre Golda
Meir, na altura primeira-ministra israelita, e o rei Hussein, a pedido expresso
do monarca. A conversa teve lugar na sede da Mossad, perto de Telavive.
Elie Mizrahi, chefe de gabinete de Golda Meir, revelou que a conversa
versou sobre os preparativos secretos do Egipto e da Síria para a Guerra de
Outubro, marcada pela destruição da Linha Bar Lev, a defesa israelita no Sinai,
no Canal do Suez.
Na época, Hussein tinha o nome de código «LIFT» (elevador) junto aos
serviços israelitas.
NDLA: O relatório da Mossad datado de 25 de Setembro de 1973 sobre o
encontro entre Hussein e Golda Meir, na sede da Mossad, perto de Telavive,
revela o nome de código dado ao rei «LIFT», uma referência ao facto de o
monarca transmitir informações do mundo árabe para Israel.
Referindo-se a «fontes altamente sensíveis» do exército sírio, Hussein
informa os israelitas que «os preparativos para a guerra estão agora
concluídos. Todas as unidades combatentes sírias assumiram as suas posições de
combate na frente, incluindo a aviação e as forças balísticas», afirma.
NDLA: O oficial jordaniano que recolheu as confidências do sírio era o
general Abboud Salem, vice-director dos serviços de inteligência jordanianos.
Não foi possível descobrir o nome do espião sírio que informou a Jordânia sobre
os preparativos para a guerra de Outubro de 1973.
De acordo com informações que circularam na época, seria um general. O
contacto ocorreu em 1 de Outubro de 1973, coincidindo com as ordens dadas pelo
comando sírio para enviar tropas para o Golã. Cinco generais sírios comandavam
uma divisão. O espião só poderia ser um dos cinco generais em questão.
As relações de Hussein com os americanos, israelitas e ingleses não são
surpreendentes nem recentes, assim como as suas relações com os grandes nomes
da espionagem mundial. Hussein apenas seguiu o caminho traçado anteriormente
pelo seu avô Abdallah, fundador da dinastia hachemita na Jordânia.
Alguns jordanianos ofereceram-se para defender a reputação do seu rei,
garantindo que o monarca foi levado pela força das circunstâncias a mover-se na
lama, não por escolha, mas por necessidade, pois a sua função o obrigava a
dotar-se de aliados fortes capazes de apoiá-lo nos períodos difíceis que
abalaram o trono.
Esta lógica é inaceitável. A protecção do seu rei nunca deve implicar a
traição das aspirações de uma nação, nem justificar a degradação a que Hussein
foi levado.
4- Um começo promissor
O xerife Hussein de Meca, antepassado do rei Hussein, foi o líder árabe
mais próximo de Israel. A tal ponto que Itzhak Rabin, antigo primeiro-ministro
israelita, confidenciou um dia ao rei Hussein: «Majestade, o senhor é amado em
Israel, se um dia pensar em candidatar-se ao cargo de primeiro-ministro,
ganhará o voto de confiança por uma ampla maioria».
Ao ascender ao trono, Hussein quis livrar-se de uma pesada herança, que o
marcou profundamente e lhe causou um verdadeiro trauma: o assassinato do seu
avô, Abdullah I, dentro da própria mesquita Al Aqsa, em Jerusalém, em 1951.
No início do seu reinado, Hussein parecia ser um reformista, levando em
consideração as aspirações do seu povo.
5 – O massacre de Kobbyé (Cisjordânia) e a retirada dos ingleses do comando
do exército jordaniano, nomeadamente do general Glubb Pacha.
Mas cinco meses após assumir o cargo, ocorreu um massacre em Kobbyé
(Cisjordânia), causando a morte de 67 pessoas, a maioria mulheres e crianças.
Manifestações eclodiram em todo o reino, a ponto de colocar em risco o trono
hachemita.
A ira popular dirigia-se não só contra os sionistas, mas também contra os
seus aliados, os ingleses. Hussein teve então de destituir o general Ashton,
comandante de uma divisão jordaniana, e, sobretudo, o general Glubb Pacha,
comandante-chefe da Legião Árabe, em 2 de Maio de 1956, livrando assim o
exército jordaniano de todo o corpo de oficiais ingleses que supervisionavam o
exército jordaniano em todos os níveis de comando, em virtude do acordo
jordano-inglês de 1946.
6- A agressão tripartida de Suez e o Pacto de Bagdade, um ponto de viragem.
Em 1958, Hussein teve de enfrentar uma nova provação: o Pacto de Bagdade,
criado na sequência da agressão tripartida de Suez (França, Reino Unido e
Israel) contra o Egipto e o símbolo do nacionalismo árabe, Gamal Abdel Nasser,
na sequência da nacionalização do canal de Suez, em 1956.
Formado pelo Iraque hachemita e dois países muçulmanos pró-ocidentais, o
Paquistão e a Turquia, o Pacto de Bagdade foi fundado pelos Estados Unidos no
contexto do conflito de potências durante a Guerra Fria
soviético-americana. Ele deveria servir como elo intermediário entre
a OTAN (sector atlântico) e a OTASE (Ásia-Pacífico) e conter a ascensão do
nacionalismo árabe na região.
Hussein entrou em pânico com a fusão sírio-egípcia, em Fevereiro de 1958, e
a queda da monarquia iraquiana, cinco meses depois, em Julho de 1958. A
Jordânia encontrava-se então rodeada por países hostis: Egipto, Síria, Iraque e
Arábia Saudita, que tinha expulsado a sua família de Meca.
7- A ascensão ao abismo. As ofertas de serviço da CIA, no dia seguinte à
fusão egípcio-síria.
Hussein sentiu então a necessidade de estabelecer relações sólidas com
aliados fortes e poderosos. É certo que a Jordânia tinha relações sólidas com o
Reino Unido, mas a expedição de Suez provocou uma onda de desconfiança em
relação aos ingleses no mundo árabe. Foi nesse momento que a CIA fez ofertas de
serviço ao rei Hussein. Em 1957, após a agressão de Suez e na véspera do
lançamento do Pacto de Bagdade;
8- Londres 1963, residência do Dr. Emmanuel Herbert, local do primeiro
contacto entre o rei Hussein da Jordânia e Ya'cov Herzog
A relação com Israel demoraria a concretizar-se, pois os israelitas queriam
primeiro testar o soberano jordaniano.
O primeiro contacto ocorreu em Londres, em 1963, na clínica do Dr. Emmanuel
Herbert, médico pessoal do monarca jordaniano, judeu e sionista notório,
localizada na 21 Devonshire Place Street, um edifício de seis andares no centro
de Londres.
NDLA: De nome verdadeiro Emmanuel Herzog, o Dr. Herbert optou pelo nome
patronímico Herbert quando chegou ao Reino Unido vindo da Rússia, de onde havia
fugido. Médico do hotel Claridge, foi recrutado pelo Serviço de Inteligência
Britânico durante a Segunda Guerra Mundial e encarregado de entrar em contacto
com personalidades e celebridades que se hospedavam nesse prestigioso
estabelecimento.
Seguindo instruções dos serviços ingleses, ele estabeleceu contactos com
sionistas britânicos, como Marcus Sief, proprietário da cadeia Marcus and
Spencer. Marcus Sief seria posteriormente nomeado barão e assumiria o título de
Barão Sief de Brimpton.
Para sua grande surpresa, Herbert revelou aos seus empregadores que Hussein
era favorável não só a contactos com os sionistas britânicos, mas também com os
israelitas, desde que isso permanecesse em segredo.
O primeiro contacto do rei Hussein foi com Ya cob Herzog,
vice-director-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita.
O historiador israelita Avi Shlaim, autor de uma biografia sobre o rei
Hussein, «O Leão da Jordânia», registou 46 encontros entre Hussein e Herzog,
sem contar com os encontros paralelos entre o rei e outros responsáveis
israelitas.
NDLA: Segundo Avi Shlaim, os encontros ocorreram em Londres, Paris,
Telavive, na sede da Mossad, em Amã, no deserto jordaniano de Wadi Araba, a
bordo de uma caravana climatizada, a bordo do iate real ancorado no Golfo de
Aqaba, a bordo de um navio de guerra israelita lançador de mísseis, ancorado no
Golfo de Aqaba
9- A entrada em cena de Golda Meir em Paris... apartamento da Rue
Raynouard, no 16.º arrondissement
No Outono de 1963, Hussein viaja para Londres para uma consulta médica com
o Dr. Herbert. Nessa ocasião, ele informa ao seu médico pessoal que se reunirá
com interlocutores israelitas de patente superior à de Ya'cov Herzog.
A resposta israelita não demorou a chegar! Golda Meir, ministra dos
Negócios Estrangeiros, seria doravante a interlocutora do rei e a reunião não
se realizaria em Londres, mas em Paris, num apartamento na Rue Raynouard, no
16.º arrondissement da capital francesa, no bairro chique de Passy, escolhido
por Walter Eytan, embaixador de Israel em França.
Yossi Melman e Dan Rafif, dois escritores israelitas, relataram a reunião
da seguinte forma:
«Hussein entra primeiro, recebido por Golda Meir. Os dois interlocutores
começam a evocar a memória do avô de Hussein, Abdallah I, assassinado na
Mesquita Al Aqsa.
Sobre o assassinato de Abdallah I, consulte este link
https://www.madaniya.info/2020/07/22/l-assassinat-de-roi-abdallah-1er-de-jordanie-en-1951/
Em seguida, Hussein pede a Golda Meir que o ajude contra os seus inimigos,
começando por Nasser, as organizações palestinianas e a Síria.
Na sequência, pede-lhe que Israel intervenha junto dos Estados Unidos para
favorecer a venda de blindados americanos modernos à Jordânia, comprometendo-se
a não os utilizar contra Israel.
Resposta de Golda Meir:
«Não nos contentamos com promessas, precisamos também de garantias sólidas.
Hussein: Estou pronto a dar-lhe uma garantia a si e aos Estados Unidos.
Garanto a minha promessa pela minha honra».
NDLA; Cf. a este respeito, «O relato das relações secretas entre Hussein da
Jordânia e Israel», Yossi Milman e Dan Raffi, página 91
10 – O pequeno rei inteligente: BYK «Brainy Young King», nome de código do
rei Hussein junto dos israelitas
O rei Hussein rapidamente se tornou o líder árabe mais querido pelos
israelitas. A tal ponto que Itzhak Rabin, antigo primeiro-ministro israelita,
confidenciou um dia ao monarca hachemita: «Majestade, o senhor é amado em
Israel. Se um dia pensar em candidatar-se ao cargo de primeiro-ministro, obterá
o voto de confiança por uma ampla maioria».
Na correspondência secreta israelita, o rei Hussein da Jordânia era
designado pelas iniciais BYK, que significavam «Brainy Young King» (Rei Jovem
Inteligente). Por extensão, os jornais ocidentais referiam-se a ele como
«pequeno rei», um termo aparentemente afectuoso que, na verdade, marcava uma
conivência tácita com a designação israelita.
11- Hussein, um mistificador. A falsa reconquista de duas localidades
jordanianas. Uma operação de propaganda mediática para restaurar a sua imagem.
Com o desenvolvimento das relações jordano-palestinianas, os encontros já
não se realizavam na Europa, mas em Israel; a distância é mais curta, o local
mais discreto.
Posteriormente, os locais de encontro jordano-israelitas migraram da Europa
(Londres, Paris) para o Médio Oriente, Telavive, ou então a bordo de um navio
lançador de mísseis israelita, a bordo de um iate, no golfo de Aqaba, numa
caravana climatizada no deserto de Wadi Araba.
Em Março de 1970, uma reunião reuniu a bordo de um navio de guerra
israelita lançador de mísseis que tinha ancorado no Golfo de Aqaba.
O rei estava acompanhado pelo seu primo, o general Zayed Ben Chaker, na
época comandante da 40ª divisão blindada, que seis meses mais tarde
desempenharia um papel activo na repressão da revolta anti-palestiniana durante
o Setembro Negro jordaniano. Do lado israelita estavam presentes: Moshe Dayan,
ministro da Defesa; Abbas Eban, ministro dos Negócios Estrangeiros; Haim Bar
Lev, chefe do Estado-Maior; e Haim Herzog, director dos serviços secretos
israelitas.
O rei pediu aos israelitas que o ajudassem a controlar as organizações
palestinianas. Em resposta, Moshe Dayan oferece-lhe um presente: a retirada do
exército israelita de duas localidades do vale do Jordão, Ghor as Safi e Ghor
Fifa.
Hussein quis tirar partido da retirada israelita,
pensando nos dividendos que esta operação poderia gerar para si e para o seu
trono.
Com base na promessa israelita, Hussein ordenou ao exército jordano que
atacasse as duas cidades evacuadas “a fim de as libertar das garras da ocupação
israelita”.
A propaganda jordana anunciava que o próprio rei tinha comandado a batalha,
infligindo “pesadas perdas ao inimigo”.
Em 18 de Setembro de 1970, no auge da guerra jordano-palestiniana, veículos
blindados sírios invadem a Jordânia e tomam a cidade de Irbid, capital do norte
do Reino. Israel veio então em socorro do Rei, transferindo uma divisão blindada
da Frente do Suez, face ao Egipto, para a Frente Oriental, face à Síria,
enquanto a força aérea israelita aumentava as suas incursões no espaço aéreo
jordano, ultrapassando várias vezes a barreira do som sobre os sírios, para os
intimidar.
A intervenção directa dos israelitas, bem como as perdas sírias, levaram
Damasco a retirar as suas tropas do Reino.
Em Outubro de 1970, quando o Rei acabava de ganhar a sua guerra contra os
palestinianos, Hussein encontra-se com Ygal Allon, o vice-primeiro-ministro israelita
que tinha sido o mais forte apoiante do Rei durante a sequência do “Setembro
Negro”. Os dois homens felicitaram-se calorosamente. O Rei agradeceu a Israel
“do fundo do coração” o seu apoio político e militar.
Para os falantes de árabe, consulte este link.
Sobre o mesmo tema:
Sobre o papel da Jordânia na sequência da "primavera Árabe”:
Fonte: La
face hideuse du Roi Hussein de Jordanie ! – les 7 du quebec

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