A história da humanidade não é a história da célula
familiar, mas sim a história da luta de classes.
30 de Janeiro
de 2026 Robert Bibeau
Por Normand Bibeau e Robert Bibeau .
Emmanuel Todd persiste e
assina: segundo este intelectual burguês, não é a história da luta de classes
que move a história da humanidade, mas a luta entre «a família nuclear
absoluta», «a família nuclear igualitária», «a família tradicional» e «a
família comunitária» através das «regras sucessórias; a co-habitação entre gerações;
a autoridade parental e a igualdade ou desigualdade entre filhos, homens e
mulheres»... assexuados ou bissexuais... (sic)
Ver este artigo Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O império americano em declínio está
a esgotar-se estruturalmente (Emmanuel Todd)
Assim, se fosse necessário explicar a história a partir desses critérios «familiares» postulados por Todd e a sua teoria da «família» como motor da história, o sistema matriarcal que reinou em grande parte sobre a «família» durante os milénios do comunismo primitivo, quando a propriedade privada não existia; os milhões de escravos que foram explorados, eles próprios «objectos» sucessórios sem sucessão, sem família nem filhos; os milhões de «servos» que pertenciam à terra do senhor e não possuíam nada, excepto as suas mulheres e filhos para explorar em benefício do senhor; os milhões de escravos assalariados que possuíam apenas dívidas às quais renunciavam os seus herdeiros, essa populaça não teria contribuído de forma alguma para a história e a sua passagem pela Terra teria sido apenas uma anomalia «antropológica» sem significado nem herança histórica?
A teoria burguesa de Todd sobre a «família» como «motor da história» lembra
grosseiramente as rivalidades feudais, quando grassavam as guerras de sucessão
entre as «famílias aristocráticas reinantes» pelo domínio local (cidades),
regional (cidades, aldeias, cantões), depois real e nacional (o Estado-nação)
e, finalmente, imperial (a partir do Império Romano, carolíngio, veneziano,
bizantino, português, espanhol, hanseático, otomano, britânico, francês, etc.,
para citar apenas alguns exemplos ocidentais).
Em suma, a teoria da «família» de Todd apenas dá conta da história de uma ínfima percentagem da humanidade: a humanidade possuidora, em detrimento da imensa maioria despossuída.
Marx e Engels estudaram cientificamente a «família» como «instituição histórica determinada pelo modo de produção; a forma de propriedade e as relações sociais que dela decorrem».
Assim, escreveram em «A Ideologia Alemã»: «A forma da família varia de acordo com o estágio de desenvolvimento da produção» (1845-1846), como demonstram as diversas formas de «família» ao longo da história da humanidade.
Na obra emblemática intitulada «Da Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado», Engels, baseando-se nas notas de Marx do estudo do antropólogo Lewis Henry Morgan, descreve as grandes formas históricas da família:
1- Famílias comunitárias primitivas: caracterizadas por relações sexuais não exclusivas e, frequentemente, descendência matrilineal; ausência de propriedade privada e dominação masculina estruturada;
2- Família em pares: casais relativamente estáveis; ausência de propriedade privada desenvolvida e autoridade patriarcal ainda limitada;
3- Família “monogâmica” com um único progenitor e uma ou mais esposas (reduzida a “nuclear” segundo Todd, enquanto que, evidentemente, em muitas sociedades, a “monogamia” familiar resulta em termos de filiação e não de acasalamento); aparência de propriedade privada; propósito de preservar essa propriedade privada através da herança e dominação do homem sobre a mulher e os filhos.
Engels escreveu: «O derrube do direito materno foi
a grande derrota histórica do sexo feminino» e o resultado directo do
advento da propriedade privada baseada na violência bruta e na lei do mais
forte fisicamente.
«A monogamia ou a poligamia com um único progenitor nascem da concentração da riqueza nas mãos de um único indivíduo e da necessidade de a transmitir aos seus herdeiros, a fim de garantir o seu futuro em vida e após a sua morte» (Engels).
A propriedade privada exige uma certeza de filiação, daí a imposição de: restricção da sexualidade feminina; confinamento doméstico e subordinação jurídica e social. A família monogâmica burguesa é, portanto: uma instituição de classe e um instrumento de opressão e dominação, tal como o Estado.
No «Manifesto do Partido Comunista», Marx e Engels escrevem: «A família burguesa assenta no capital, no lucro privado (...) A burguesia arrancou da relação familiar o seu véu sentimental para transformá-la numa simples relação de dinheiro».
A família "nuclear absoluta,
igualitária, de raíz ou comunitária" na sociedade burguesa não tem outro
propósito senão reproduzir a força de trabalho, socializar os indivíduos de
acordo com as normas de classe e perpetuar a ideologia da burguesia.
Marx escreveu em " O Capital ": " A reprodução da força de trabalho implica 'a
manutenção do operário e a perpetuação da sua raça'". A família é um elo
histórico no capitalismo .
O socialismo científico não abolirá a
"família" em geral como berço da procriação, mas sim a "família
burguesa" centrada na transmissão privada de capital, na dependência e subjugação
económica de mulheres e crianças, e como célula patriarcal .
Como Engels previu, a educação colectiva
das crianças será providenciada pela sociedade, assim como a saúde e o sustento
material. Os relacionamentos serão baseados em uniões livres, revogáveis e
igualitárias, e na abolição da "prostituição" económica. "
O que restará serão
relações sexuais baseadas exclusivamente na atracção mútua."
PROLETÁRIOS DO MUNDO INTEIRO, UNÍ-VOS E ABOLI A FAMÍLIA BURGUESA
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" DA INSURREIÇÃO POPULAR À REVOLUÇÃO
PROLETÁRIA ". Coleção de Temas
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Versão em Língua Portuguesa:
Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Da Insurreição popular à revolução
proletária
Uma revolução social é um movimento de classe pelo
qual a classe dominante de um modo de produção obsoleto é derrubada, as suas
infraestruturas económicas e materiais e as suas superestruturas sociais,
políticas e ideológicas são destruídas para serem substituídas por um novo modo
de produção.
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice

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