sábado, 31 de janeiro de 2026

Bem-vindo à Class War/Guerra de Classes

 


Bem-vindo à Class War/Guerra de Classes

 

Saudamos a formação da Class War, o núcleo de um novo grupo no Sul da Ásia. Esses camaradas inicialmente uniram-se através do trabalho da NWBCW Sul da Ásia, mas sentiram cada vez mais a necessidade de uma organização política permanente como o seu próximo passo natural. Plantar as sementes para um futuro renascimento da classe não é tarefa fácil, mas esperamos percorrer esse caminho juntos. Enquanto isso, a NWBCW (NO WAR BUT WAR CLASSE/NÃO À GUERRA SENÃO A GUERRA DE CLASSE – NdT) Sul da Ásia continuará a operar como uma iniciativa conjunta com outros internacionalistas da região. (1)

Declaração Fundadora do Class War (Guerra de Classes)

O capitalismo no Sul da Ásia está a seguir uma trajectória catastrófica. Por trás da retórica de "crescimento económico" e "poder emergente" está uma realidade de pobreza crescente para a maioria. De zonas industriais a regiões agrárias, a sociedade está a ser fragmentada pela destruição ecológica, sectarismo comunitário e exploração intensificada do trabalho. A classe dominante fragmentada em Estados-nação rivais e facções políticas oferece apenas uma crise permanente e o crescente perigo de guerra generalizada.

A classe operária permanece politicamente desarmada. A tradicional "Esquerda", que vai do estalinismo parlamentar à insurgência maoísta, chegou a um beco sem saída histórico. Ao prender os operários ao nacionalismo, à democracia burguesa ou ao mito do "semi-feudalismo", essas forças reproduzem o domínio capitalista. Elas consolidam divisões por casta, religião e região, obscurecendo o antagonismo fundamental entre capital e trabalho.

O Class War/Guerra de Classes foi formado para romper decisivamente com essas mistificações. Afirmamos que não existe solução nacional para a exploração proletária. Somente a independência política da classe operária e o retorno aos princípios intransigentes do marxismo revolucionário podem confrontar o capital.

Não nos proclamamos partido, mas sim um núcleo comprometido com a clarificação teórica e a intervenção política. A emancipação da classe operária deve ser tarefa dos próprios operários, organizados internacionalmente. Como simpatizantes da Tendência Comunista Internacionalista, trabalhamos para enraizar as tradições da Esquerda Comunista no Sul da Ásia como parte da luta pela revolução mundial.

Para esclarecer a nossa orientação, Class War/Guerra de Classes avança a seguinte plataforma:

1.    A sociedade capitalista está a enfrentar crise em todos os lugares, e é assim que ela se manifesta no Sul da Ásia, onde enfrenta uma crise insolúvel impulsionada pela tendência da taxa de lucro a cair. Essa contradição fundamental obstrui o processo de acumulação e obriga o capital a compensar a sua lucratividade decrescente através da exploração intensificada do trabalho e da natureza. As consequências dessa valorização obstruída são evidentes na aceleração da destruição ecológica e na crise agrária que leva os agricultores ao suicídio. Além disso, essas contradições económicas crescentes inevitavelmente arrastam a região para conflitos imperialistas mais amplos, enquanto as potências mundiais competem para garantir os recursos e mercados restantes necessários para a sua sobrevivência.

2.    Baseamo-nos no internacionalismo proletário e rejeitamos o apoio a qualquer Estado-nação, seja ele existente ou aspirante. Os movimentos de libertação nacional não podem mais servir aos interesses da classe operária na época imperialista contemporânea. Opomo-nos a todos os projectos nacionalistas, incluindo, mas não se limitando a, separatismo caxemire, defesa do Khalistão, defesa dos Tamil Eelam, nacionalismo balúchi e insurgências do Nordeste, reconhecendo esses como programas burgueses que dividem a classe operária por linhas territoriais. Igualmente opomo-nos ao nacionalismo hindu, nacionalismo budista cingalês, nacionalismo bengali, chauvinismos regionais e política comunitária, entendendo esses como instrumentos pelos quais a classe dominante fragmenta a unidade proletária e direcciona as lutas dos operários para becos sem saída que servem facções capitalistas rivais.

3.    A classe operária constitui a única classe revolucionária capaz de abolir o capitalismo. A transformação revolucionária exige a luta independente dos operários fora dos sindicatos, instituições parlamentares e estruturas de ONGs. Em vez disso, através da formação de órgãos de classe autónomos, incluindo comités de trabalho, assembleias gerais, comités de greve e conselhos operários que possam desmontar as relações capitalistas e construir uma sociedade socialista.

4.    Uma revolução bem-sucedida deve ter alcance internacional, exigindo uma revolução mundial para a sua consolidação. A vitória exige que a minoria revolucionária dentro da classe operária se organize, entendida não como um governo em espera, mas como um órgão dentro e da própria classe. Uma organização revolucionária deve existir previamente para defender o programa comunista e intervir nas lutas diárias, mas essa organização revolucionária só se torna um partido revolucionário quando é aceite pela classe operária como sua referência política durante a luta de massas. O partido vem de dentro da classe operária e das suas lutas, e a sua ascensão é paralela à consciência combativa geral da classe, que nenhuma quantidade de voluntarismo ou mudanças tácticas de curto prazo pode acelerar. Intervém dentro dos conselhos como uma força organizada, nunca acima deles, lutando dentro deles para avançar o programa. A Revolução Russa de 1917 foi uma verdadeira revolução proletária e permanece uma fonte internacional de inspiração como o início de uma vaga revolucionária mundial abortada.

5.    O isolamento da Revolução Russa num único país, após a derrota dos movimentos revolucionários noutros lugares, levou inevitavelmente à traição do seu conteúdo socialista e ao surgimento do capitalismo de Estado sob controle burocrático cada vez mais centralizado, demonstrando que o socialismo não pode ser construído num só país.

6.    Os sindicatos em todo o Sul da Ásia foram totalmente integrados no aparelho estatal capitalista e não funcionam mais como organizações de luta da classe operária. Embora os sindicatos sejam compostos por operários e afirmem defender os seus interesses, eles operam exclusivamente dentro do arcabouço do capitalismo e servem principalmente para disciplinar o trabalho e impedir acções independentes da classe operária. Rejeitamos estratégias que visam capturar sindicatos para fins revolucionários ou transformá-los em instrumentos revolucionários.

7.    Rejeitamos o parlamentarismo e a participação eleitoral categoricamente, pois o parlamento forma um componente integral da máquina burguesa do Estado que não pode ser utilizado na luta proletária. A política eleitoral, seja por partidos parlamentares de esquerda ou organizações estalinistas, serve apenas para canalizar a militância da classe operária para becos sem saída e reforçar ilusões na democracia burguesa.

8.    Opomo-nos a todas as formas de frente popular, frente unida ou política de coligação que envolvam colaboração de classes ou a diluição dos princípios revolucionários. A experiência histórica demonstra de forma conclusiva que, sempre que a classe operária ou a sua vanguarda revolucionária entrou em frentes populares, frentes anti-fascistas ou frentes democráticas nacionais com forças burguesas ou pequeno-burguesas, tais alianças fortaleceram o capitalismo, independentemente das intenções declaradas.

9.    As economias agrárias do Sul da Ásia passaram por uma transformação capitalista. O campo é caracterizado não por relações semi-feudais, mas sim por diferenciação de classes capitalistas, produção de mercadorias menores, trabalho assalariado generalizado e dominação do mercado. A tese semi-feudal propagada pelos movimentos maoístas e naxalitas deturpa as relações agrárias capitalistas como remanescentes feudais, legitimando assim rebeliões camponesas pequeno-burguesas em vez da luta independente da classe operária. Pequenos e marginais agricultores funcionam principalmente como um semi-proletariado rural, combinando agricultura de subsistência com trabalho assalariado, enquanto uma minoria de agricultores capitalistas domina a produção através da mecanização e exploração do trabalho. A estratégia do naxalismo de guerra de guerrilha baseada nos camponeses representa um programa político nacionalista e pequeno-burguês incompatível com o internacionalismo proletário e incapaz de transcender as relações capitalistas.

10. Lutamos pela unidade da classe operária contra todas as divisões impostas pela sociedade capitalista segundo casta, religião, região, língua, etnia e género. O sistema de castas, embora possua origens pré-capitalistas, foi profundamente incorporado e transformado pelo capitalismo sul-asiático como um mecanismo de segmentação do trabalho, depressão salarial e prevenção da solidariedade de classe. Opomo-nos à opressão de castas como parte da luta contra a própria exploração capitalista, reconhecendo que a libertação Dalit não pode ser alcançada através da representação dentro do Estado existente, mas exige a abolição de todo o sistema de sociedade de classes.

11. A antiga União Soviética, e as actuais China, Cuba, Coreia do Norte e Vietname não são sociedades socialistas, mas regimes de capitalismo de estado caracterizados pela exploração burocrática da classe operária. Esses sistemas não podem ser defendidos pelos operários e não representam modelos de emancipação. Da mesma forma, a esquerda parlamentar no Sul da Ásia, incluindo o CPI, CPM, JVP e Liga Awami, funciona como gestora do capitalismo a nível estadual e como obstáculos à verdadeira independência da classe operária.

Somos simpatizantes da Tendência Comunista Internacionalista e trabalhamos para estabelecer uma secção formal da TIC no Sul da Ásia, contribuindo para a luta internacional pela revolução proletária e para a construção de uma sociedade comunista mundial.

Notas:

(1) A NWBCW Sul da Ásia pode ser contactada através do site, assim como do Instagram e Twitter/X.

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026

 

Fonte: Welcome to Class War | Leftcom

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Sem comentários:

Enviar um comentário