O jornalismo tradicional está em avançado estado de
decadência.
18 de Janeiro de 2026 Robert Bibeau
Por Khider Mesloub.
No final do século XIX , o filósofo
alemão Friedrich Nietzsche escreveu:
"Mais um século de jornalismo, e todas as palavras exalarão
mentiras."
A posteridade provou que ele estava certo.
O fedor do jornalismo parece contaminar todos os meios de comunicação. Ao
servir constantemente os poderosos, a linguagem da media passou a exalar o
cheiro dos seus mestres. A gestão narrativa da ordem vigente, impropriamente
chamada de informação, já não se preocupa com floreios para disseminar a sua
imundície informacional. As palavras dos jornalistas não cheiram mais à
verdade, mas à mentira.
Através da manipulação constante de colunistas pagos, as palavras passaram a exalar um odor de servidão voluntária. A linguagem do jornalismo não precisa mais de censura; ela corrompe-se espontaneamente. Confiada a colunistas profissionais, especialistas de estúdio e comentadores indicados pelo capital, a linguagem jornalística transformou-se em excremento ideológico. O que circula não são mais palavras, mas o fedor do poder.
O capital exerce o seu domínio não apenas através
da economia e da polícia, mas também através da linguagem jornalística, que
torna a economia "natural" e a polícia "necessária". O
jornalismo tornou-se uma máquina de palavras projectada para produzir consenso,
neutralizar a luta de classes e tornar a ordem burguesa respirável — mesmo
quando sufocante. Transforma a violência social em inevitabilidade tecnológica,
o conflito em disfunção, a raiva popular em "preocupação",
bombardeamentos mortais em "ataques cirúrgicos" e até os acusa de
conspiração. Pior ainda, responsabiliza os dominados pelo seu destino e
considera os dominantes indispensáveis para o equilíbrio do terror entre os
supostos terroristas. Instila a ideia de que o mundo como é não pode ser de
outra forma — e que qualquer dissidência é irracional, populista ou perigosa.
O jornalismo
contemporâneo já não escreve : desinfecta, higieniza a realidade
para torná-la apresentável aos ricos e poderosos. Não descreve o mundo, apenas
o desodoriza. Não nomeia as dinâmicas de poder, apenas as perfuma.
Hoje em dia, os editorialistas não são
jornalistas: são agentes, propagandistas da normalização. A sua função não é
informar, mas disciplinar a realidade, embelezar a miserável realidade.
Explicam porque é que as guerras são necessárias, porque é que as demissões são
inevitáveis, porque é que a repressão é razoável, porque é que os pobres
exageram e porque é que os ricos tranquilizam.
A imprensa exala o fedor rançoso da
dominação naturalizada.
Na imprensa
santificada, onde a ética foi sacrificada, cada palavra é um álibi .
"Reforma" serve para camuflar a pilhagem social.
"Responsabilidade", para tornar a austeridade palatável. "Manter
a ordem", para justificar mutilações. "Sair impune", para
absolver crimes de Estado. O vocabulário é limpo, a intenção é vil. Quanto mais
higienizada a linguagem jornalística se torna, mais fétida ela se torna.
Através da manipulação constante das redacções,
da pré-digestão pelas agências e da regurgitação pelos especialistas, as
palavras perderam o seu significado e adquiriram um fedor. O fedor da
submissão. O fedor da resignação. O fedor de uma linguagem que escolheu o
conforto dos eufemismos em vez da verdade brutal das realidades sociais.
Os meios de comunicação burgueses dominantes não mentem por zelo excessivo, mas por lealdade à sua missão de classe. Produzem uma linguagem desprovida de qualquer conflito, uma linguagem desarmada e domesticada, inofensiva para o capital e tóxica para os dominados. Não informam: desorientam. Não descrevem: prescrevem. Neutralizam. Anestesiam. Transformam a realidade em prosa inofensiva, aceitável e digerível — portanto, inodora para a consciência dominante, pestilenta para qualquer um que ainda respire fora do consenso.
Quando Marx escreveu
que as ideias dominantes são as ideias da classe dominante , ele já se
referia à grande imprensa. A uma linguagem que não reflecte a sociedade, mas a
organiza ideologicamente. A uma linguagem que não cheira a tinta, mas a poder.
E quanto mais essa linguagem se apresenta como neutra, profissional, "objectiva",
mais exala o odor rançoso da dominação naturalizada.
O jornalismo contemporâneo não ruirá sob o
peso das mentiras, mas sim sob o peso do seu próprio fedor. Pois quando uma
língua deixa de denunciar a exploração, a violência e a dominação, ela não se
torna neutra: torna-se cúmplice. E uma língua cúmplice acaba sempre por cheirar
a carniça.
Felizmente, nesta profissão como noutras, indivíduos conscienciosos dão a vida para revelar a verdade, por exemplo, em Gaza, uma cidade vítima de genocídio, e na Palestina ocupada pela hidra fascista israelita.
Khider MESLOUB
Fonte: Le
journalisme « mainstream=menteur » en putréfaction avancée – les 7 du
quebec
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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