sábado, 10 de janeiro de 2026

Estamos a viver momentos históricos – o poder imperial está a ser abalado de Tunes a Caracas.

 


Estamos a viver momentos históricos – o poder imperial está a ser abalado de Tunes a Caracas.

10 de Janeiro de 2026 Robert Bibeau


Por Normand Bibeau e Robert Bibeau

Da Tunísia à Venezuela

Estou a viajar pela Tunísia e tudo o que vejo convence-me de que a «insurreição popular» está em marcha, vinda tanto do Sul global como do fundo do império, das planícies de Montana ao delta do Louisiana.

Assim, como não notar que a guarda nacional, a polícia e as forças da ordem, com metralhadoras a tiracolo, exercem a sua ditadura nepotista apenas nas «rotundas tunisinas», para extorquir os camionistas e os automobilistas autóctones, desarmados e isolados? Noutros locais, as forças da repressão fascista estão totalmente ausentes, o povo tunisino, trabalhador e corajoso, dedica-se às suas ocupações difíceis e pouco remuneradoras, sem tolerar qualquer presença policial repressiva.

Na minha opinião, bastará um fósforo para reacender o fogo que consumiu a ditadura impiedosa de Ben Ali, o déspota a soldo dos imperialistas americanos e sauditas, os compradores feudais, esses emires jihadistas medievais, cúmplices do genocídio do povo palestiniano.

O sacrifício do mártir Sidi Bouazizi, em 17 de Dezembro de 2010, ainda está bem presente na memória colectiva e se o Estado fascista do ditador Kaïs Saïed, no poder desde 2019, e que dissolveu o parlamento fantoche em Julho de 2021 e proclamou a «sua» nova Constituição em 2022, se atrevesse a reprimir ferozmente o povo tunisino, o fogo da insurreição reacender-se-ia com mais força.

Todos os jovens a quem me dirigi gritavam em uníssono: «LIBERTEM A PALESTINA», brandindo os punhos e vomitando o Estado terrorista SIO-NAZI e os piratas americanos suseranos, o que me aqueceu o coração e me convenceu de que «mesmo que os caminhos sejam sinuosos, o futuro é radiante».

De Caracas a Washington

Muitos revolucionários ficam tristes ao saber que Maduro, o presidente «eleito democraticamente de acordo com as normas burguesas da Revolução Bolivariana», foi sequestrado e preso nos Estados Unidos com a sua esposa, algemado e com os olhos vendados, para vergonha dos analistas pedantes e dos políticos lacaios que tagarelam sobre a «democracia e a liberdade recuperada» (sic) sob o flagelo imperialista ianque e sob a ditadura dos banqueiros e especuladores mundiais.

Assim, covardemente traídos pela alta direcção militar do «exército bolivariano», Maduro e a sua esposa foram ilegalmente sequestrados e levados  para os Estados Unidos  à força sob falsas acusações demagógicas de «narcotráfico», feitas pelo governo fascista do fantoche idiota e corrupto Donald Trump. Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Venezuela: Como a "Guarda Pretoriana Presidencial" entregou Maduro aos americanos

Qualquer pessoa sensata, o que exclui de imediato a totalidade dos jornalistas assalariados dos meios de comunicação social mainstream ao serviço dos proprietários bilionários, que entorpecem a opinião pública, sabe evidentemente que estas acusações são falsas, inventadas do nada e não podem, em caso algum, justificar este acto de pirataria internacional repugnante, revoltante e escandaloso.

Divisão entre a ala esquerda e a ala direita da burguesia venezuelana e mundial

No entanto, os camaradas revolucionários proletários devem ir além da propaganda burguesa e analisar este acto hediondo de pirataria internacional  do ponto de vista proletário da luta de classes e concluir que Maduro e a sua camarilha  eram apenas pseudo-revolucionários que enganaram o proletariado venezuelano e o conduziram ao caminho de uma facção da burguesia com a qual esse povo se afunda há anos. Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O Estado pirata americano impõe ajustes de regime na Venezuela, não uma mudança de regime.

Há duas décadas, os sucessivos governos bolivarianos têm implementado reformas sociais com o objectivo de consolidar o sistema económico-político capitalista em benefício da facção de esquerda do capital venezuelano e favorecendo o eixo imperialista asiático (China-Rússia-Irão).  Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O império americano isola-se e abre caminho ao seu concorrente chinês (Mearsheimer)


Os governos «bolivarianos» nunca promoveram medidas ou programas políticos proletários. No máximo, promulgaram políticas burguesas de nacionalização dos recursos petrolíferos em benefício da burguesia venezuelana de esquerda, que se empenhou em vendê-los ao melhor comprador, o que o imperialismo americano nunca aceitou, sancionando-os e condenando-os a vendê-los a Cuba e à China, através dos BRICS, «clientes» capitalistas saturados do petróleo russo e saudita, daí o seu abandono em benefício dos «aliados sem limites» russos e chineses  multipolares.

A tomada de controlo do mercado petrolífero venezuelano e o seu equivalente político, que é a prisão, prisão e subjugação do governo Maduro e sua substituição pela “Nobel da Paz” ou por qualquer outro charlatão de plantão, é apenas uma etapa nos preparativos intensivos para a Terceira  Guerra Mundial termonuclear apocalíptica que o complexo militar/industrial  está a preparar. Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A agressão americana contra a Venezuela: uma escalada rumo à guerra mundial.

O imperialismo norte-americano não podia tolerar por mais tempo que a China e a Rússia, por intermédio dos BRICS, continuassem a interferir nos seus assuntos internos. Lula, o brasileiro, o panamense, o gronelandês e o colombiano devem entender isso e preparar-se para se juntar a Maduro nas celas dos Estados Unidos.

No caso da Venezuela, o proletariado local e internacional deve abster-se de apoiar qualquer um dos lados, tanto o campo de Maduro, chamado «bolivariano», como o campo pró-americano, chamado «democrático». Apoiar um ou outro campo só poderia agravar ainda mais a situação dos operários e assalariados do país, nem que fosse pelo facto de eles servirem apenas como carne para canhão em caso de conflito armado. A participação, ou mesmo um apoio passivo, a um ou outro campo só poderia prejudicar qualquer resistência futura às condições de exploração, salários, empregos, repressão, etc., que só poderão piorar, independentemente do governo estabelecido pelo conquistador.

O proletariado mundial assiste «passivamente», até agora, ao colapso total das ilusões «castristas-guevaristas-bolivarianas-altermundialistas-islamistas-terroristas-jihadistas-wokistas e tutti quanti»  através do genocídio desumano do povo palestiniano, através da repressão de todas as oposições, a guerra na Ucrânia, a detenção e prisão de Maduro, a apreensão de petroleiros em alto mar, e constatamos que o mundo já não conhece «pátria», «Estado-nação», de «Estado soberano» e todas essas noções obsoletas de «direito e soberania dos povos», de «democracia», de «direito internacional humanitário» e outras inepcias que negam a luta de classes e que hoje, como durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, o proletariado proclama que:  O PODER ESTÁ NA PONTA DA ESPINGARDA!

A burguesia dá, esperemos, a sua última volta mortal e transforma o planeta na «INTERNACIONAL» capitalista-imperialista, prestes a impor um genocídio termonuclear apocalíptico, a menos que o proletariado assuma a sua missão histórica de derrubar e enterrar esta classe moribunda e este sistema de economia política decadente.

PROLETÁRIOS DO MUNDO INTEIRO UNÍ-VOS!

 

Fonte: Nous vivons des moments historiques – le pouvoir impérial est ébranlé de Tunis à Caracas – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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