Da guerra civil à insurreição popular = de Minneapolis
a Nova Iorque
25 de Janeiro de 2026 Robert Bibeau
De Minneapolis à Palestina, o ICE e o
Tsahal aplicam o mesmo modus operandi repressivo e mortal.
Por Quds News Network, 25 de Janeiro de 2026
Mortes em detenção.
Tiroteios nas ruas. Vigilância sem limites. Das cidades americanas à Palestina
ocupada, um padrão familiar repete-se.
Em Minneapolis, agentes federais de imigração abriram fogo contra a população civil durante uma operação terrorista conduzida pelo governo americano (NDÉ).
Um homem de 37 anos, desarmado, foi morto com cerca de
dez tiros por agentes do ICE, de acordo com o relatório da autópsia obtido pela
Associated Press.
https://europalestine.com/2026/01/24/usa-nouvel-assassinat-a-minneapolis-par-la-police-de-trump/
O governador do
Minnesota, Tim Walz, exigiu imediatamente a retirada das forças federais,
alertando que as incursões militarizadas contra imigrantes atingiram um ponto
criticamente perigoso.
Para muitos
observadores, essa cena lembra outros lugares: a Palestina.
É claro que o ICE
(Immigration and Customs Enforcement) americano e as forças de segurança israelitas
agora operam com métodos surpreendentemente semelhantes.
Ambas se baseiam em
ferramentas avançadas de vigilância, medidas coercivas militarizadas e detenção
administrativa.
Ambas recorrem à
violência que afecta desproporcionalmente as comunidades racializadas.
Mortes em detenção e uso de força letal
O número de mortes nos centros de detenção do ICE aumentou significativamente.
Só em 2025, pelo menos 32 pessoas morreram enquanto estavam detidas pelo
ICE, o número mais alto em mais de duas décadas. 32 é também o número exacto de
palestinianos que morreram enquanto estavam detidos por Israel em 2025, de
acordo com um relatório conjunto de grupos de defesa dos direitos dos
palestinianos.
As causas de mortalidade sob custódia do ICE vão desde negligência médica
até suicídio, com grupos de defesa dos direitos a associar essas mortes ao
confinamento prolongado e à assistência médica inadequada.
Essa tendência continuou em 2026. Várias mortes foram relatadas no início
do ano, incluindo pelo menos duas no Campo East Montana em Janeiro.
O ICE também recorreu à força letal fora dos centros de detenção. O
tiroteio em Minneapolis é um dos muitos incidentes ocorridos nos últimos anos.
Os palestinianos enfrentam ameaças semelhantes. As forças israelitas matam
regularmente civis durante incursões, operações em postos de controlo e acções
de «manutenção da segurança».
Ferramentas
de monitorização e tecnologias
O ICE usa
reconhecimento facial, scanners móveis de impressões digitais, scanners de íris
e bases de dados de IA para rastrear imigrantes.
Aplicações de registo
sinalizam as pessoas que devem ser detidas ou deportadas.
Na Palestina ocupada,
as forças israelitas utilizam sistemas biométricos de rastreamento, análise
preditiva e licenças para monitorizar os deslocamentos.
Especialistas da
sociedade civil destacam a semelhança: os dois sistemas tornam comunidades
inteiras «identificáveis» pelo
Estado, ao mesmo tempo que restringem os seus direitos.
Várias empresas
privadas operam nos dois contextos. A Palantir fornece ao ICE software de
gestão de registos e vigilância, bem como plataformas semelhantes ao exército
israelita.
A Cellebrite, uma
empresa israelita especializada em cibercriminalística, oferece ferramentas de
pirataria telefónica que os agentes americanos teriam aprendido a usar após
testes de campo na Palestina.
A Paragon Solutions,
outra empresa ligada a Israel, forneceu ao ICE o software espião Graphite,
capaz de infiltrar comunicações encriptadas.
Formações e transferência de táticas
Os agentes do ICE participam em programas de intercâmbio com a polícia e as
unidades militares israelitas.
Muitas viagens são organizadas por organizações sem fins lucrativos,
incluindo o seminário nacional sobre a luta contra o terrorismo da Liga Anti-difamação.
Embora descritos como intercâmbios de «boas
práticas» em matéria de combate ao terrorismo e controlo das fronteiras, os
críticos afirmam que estes programas transferem as tácticas de ocupação para as
forças policiais nacionais.
O controlo de multidões, as operações policiais baseadas em informações e
as incursões militarizadas estudadas nos territórios ocupados estão cada vez
mais presentes nas operações americanas.
Fronteiras e postos de controlo militarizados
Na Cisjordânia, os postos de controlo israelitas perturbam a vida
quotidiana. Os palestinianos têm de suportar longas esperas, a obrigação de
obter autorizações e submeter-se a revistas intrusivas.
Nos Estados Unidos, o ICE e a Alfândega e Protecção de Fronteiras (CBP)
conduzem operações militarizadas ao longo das fronteiras e nas cidades.
Os postos de controlo, as rusgas e as infraestruturas de vigilância impedem
a liberdade de circulação. Os relatórios da sociedade civil destacam as
semelhanças estruturais na forma como as barreiras e o controlo de acesso
reforçam o poder do Estado.
Detenção
administrativa e desigualdades jurídicas
O ICE mantém migrantes sem condenação
criminal detidos durante meses, muitas vezes longe dos seus advogados ou
familiares. Israel recorre amplamente à detenção administrativa, prendendo
palestinianos sem acusação ou julgamento.
Em ambos os países, as autoridades
justificam a detenção por razões de «segurança», muitas vezes ultrapassando o
quadro legal.
Discriminação racial e política
As medidas coercivas do ICE afectam desproporcionalmente as comunidades latino-americanas, negras, muçulmanas e árabes. O perfil racial determina as prioridades em matéria de detenções, prisões e vigilância.
Na Palestina ocupada, a lei israelita aplica regimes diferentes aos
palestinianos e aos colonos judeus. A liberdade de circulação, o acesso à terra
e as protecções jurídicas variam consoante a identidade.
A expressão política também está na mira.
O ICE baseou-se em informações relacionadas com listas negras online
infames, incluindo a Canary Mission, para investigar e deter activistas
pró-palestinianos, tornando assim a liberdade de expressão um potencial gatilho
para medidas coercivas.
Um sistema comum, sem aliança formal
O ICE e as forças israelitas não operam
no âmbito de tratados formais. As ligações são estabelecidas através de
contratos, tecnologias privadas, intercâmbios de formação e cooperação em
matéria de informações.
Grupos da sociedade civil descrevem estas práticas semelhantes como um sistema mundial
de controlo em rápida expansão.
Os procedimentos militarizados de
repressão, vigilância e detenção são transfronteiriços.
Os uniformes mudam. As tecnologias
evoluem. As vítimas permanecem as mesmas.
Traduzido por Spirit of Free Speech
Fonte: De
la guerre civile à l’insurrection populaire = de Minneapolis à New-York – les 7
du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua
Portuguesa por Luis Júdice

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